Com Natal, atraso de salário não tinha perdão

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Atraso de salário no futebol brasileiro já é algo cultural. Todos os clubes atrasam. Uns menos, como o Cruzeiro, outros mais, como o Atlético Mineiro. Mas nenhum pode se gabar dizendo “desta água nunca bebi”.

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A má prática dos clubes está tão enraizada na cultura do futebol brasileiro que remonta aos anos 1930 e 40, tempos ainda de amadorismo. Não foram poucas as vezes, por exemplo, que Heleno de Freitas teve de socorrer companheiros de Botafogo que estavam, por causa de atraso no salário, próximos do despejo por inadimplência no aluguel.

Depois disso, surgiram milhares de outras histórias com o mesmo pano de fundo: atraso de salário.

Sempre elegi a melhor delas uma que se passou no Cruzeiro, no início dos anos 1970. Era brava a crise financeira do clube no período.

Para se ter uma ideia do perrengue por que passavam os jogadores celestes daquela época, um deles, o beque Mário Tito, não tinha dinheiro sequer para registrar o filho que nascera. Mesmo assim, ele preferiu aguardar silenciosamente, sem protestos, os três meses de salários devidos.

Mas Natal, o Diabo Louro, não teve a mesma parcimônia. Inconformado com as promessas não cumpridas do vice-presidente do clube, infernizou a vida da diretoria com um aviso colado na porta do próprio carro:

O SENHOR CARMINE FURLETTI ESTÁ PAGANDO AS MINHAS DÍVIDAS. PROCUREM O HOMEM”.

Dizem que Natal não precisou andar dois dias com o cartaz no vidro. Rapidinho, seu Carmine tratou de pagar o ponta arretado.

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Hoje é o dia do dono da 6. Viva Nonato!

Foto: Cruzeiro/Arquivo

Foto: Cruzeiro/Arquivo

Há 49 anos, nascia o maior lateral esquerdo da história do Cruzeiro. Abaixo, o perfil que escrevi sobre ele no livro Anos 90: um campeão chamado Cruzeiro.

Viva Raimundo Nonato!

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Raimundo Nonato da Silva nasceu em Mossoró, Rio Grande do Norte, em 23 de fevereiro de 1967. Na infância, o futebol até fazia parte de suas brincadeiras, mas não era uma modalidade apreciada pela família: “Acho que meus pais não sabiam nem o que era uma bola. O negócio deles era trabalhar para garantir o sustento dos filhos”.

Com o falecimento, em 1979, da mãe, Dona Francisca, ele foi morar com a irmã, em Teresina. Esta era casada com um jogador do Flamengo-PI, o Izael, que o introduziu no esporte. Nonato começou como mascote, entrando em campo com o cunhado. Em seguida, já mais crescido, passou a frequentar os treinamentos e as arquibancadas. Veio, então, a decisão de ser jogador de futebol.

Mas o começo não foi fácil. Ele precisava garantir sua subsistência por outros meios: “Antes de conseguir a profissionalização no futebol, fui servente de pedreiro, vigia de bicicleta e até carregador de balde para madames em feiras”.

Quando, enfim, alcançou o sonho de ser jogador profissional, em 1985, precisou conviver com as dificuldades financeiras e administrativas dos clubes de pequeno porte. As condições de treinamento e a estrutura do Baraúnas, seu primeiro time, não eram nada animadoras. Mas Nonato seguiu em busca de dias melhores na profissão.

Em 1988, transferiu-se para o ABC-RN, clube de futebol mais tradicional do estado. Um ano depois, com a ida do Cruzeiro a João Pessoa, para uma partida contra o Botafogo-PB, pela Copa do Brasil, a sorte de Nonato começou a mudar. O jogo ocorreu no sábado, 22 de julho. No dia seguinte, ABC e Baraúnas se enfrentariam em Natal.

Rubens Heleno, famoso jornalista esportivo potiguar, convidou Seu Pedro Assunção, diretor de futebol do Cruzeiro, para assistir à partida em Natal e observar dois jogadores: Alcides e Nonato.

Pela amizade, Seu Pedro aceitou o convite. Deixou João Pessoa após a partida do Cruzeiro e rumou para a capital do Rio Grande do Norte. Os observados chamaram a atenção do diretor cruzeirense. Nonato, inclusive, marcou um belo gol de falta, na vitória do ABC sobre o seu ex-clube.

Mas, como o próprio craque revela, o sonho de partir para um grande clube teve que ser adiado: “Seu Pedro Assunção conversou comigo e com o Alcides depois do jogo. Disse que havia gostado muito do nosso futebol. Porém, o treinador do Cruzeiro era o Ênio Andrade, que só aceitava jogadores indicados por ele. Garantiu que, mesmo assim, ia levar uma cópia da fita do jogo para mostrar ao treinador. Em seguida, entrava em contato”.

Esse contato demorou. Somente em dezembro, na reunião do Conselho Arbitral da Federação Mineira de Futebol, Seu Pedro Assunção indicou Alcinei e Nonato para José Chaves, presidente do Pouso Alegre. A promessa era de que o clube da cidade mineira montaria um time competitivo para a disputa do Campeonato Estadual. Ambos foram, então, emprestados para o Pouso Alegre, com o Cruzeiro tendo prioridade na compra dos passes.

Com o término do Estadual e a dispensa de Ênio Andrade do comando do Cruzeiro, Seu Pedro Assunção convidou Nonato para um período de observação na Toca da Raposa. Essa avaliação estava prevista para durar de dezembro a fevereiro de 1991. Porém, o desempenho do jogador nos treinos agradou tanto que, no primeiro mês, já aumentaram seu salário e alugaram um apartamento.

Era o sonho realizado, era o triunfo de um nordestino de vida sofrida numa das carreiras mais concorridas do país. Ainda hoje, relembrar essa história lhe emociona: “Quando o Seu José Chaves me informou do interesse do Cruzeiro, parti para Belo Horizonte, deixando esposa e filha em Pouso Alegre. Fiquei morando na Toquinha durante um mês. O período de teste que era pra durar até fevereiro do ano seguinte durou apenas um mês, quando o Clube decidiu comprar meu passe”.

Logo nos primeiros meses de treino, na Toca da Raposa, um fato chamou a atenção: o talento de Nonato para atuar na esquerda, apesar de ser destro. Passou muito tempo explicando o porquê da inversão de lado. Aliás, até hoje é interpelado quanto a isso: “Sempre me perguntam a escolha pela lateral esquerda. A explicação é simples: eu comecei no futebol como meia, jogando de camisa 10. Mas sempre faltava um jogador e, assim, acabei virando coringa na equipe. Num desses improvisos, o diretor de futebol do Baraúnas me viu atuando na esquerda. Coincidiu que, na época, o lateral esquerdo do Baraúnas se transferiu para Porto Alegre. Esse diretor foi até a minha casa e disse que me queria na equipe, substituindo o ex-companheiro. Disse a ele que não era da posição. Mas ele retrucou dizendo que havia me visto jogando naquela faixa do campo e gostou. Aceitei e me firmei ali”.

Coincidência ou não, a chegada de Nonato ao Cruzeiro marcou o início de uma inédita sequência de títulos na história do Clube. Começou com a Supercopa de 1991, que ele mesmo elege como o título mais marcante: “Pelas circunstâncias, por ter sido o meu primeiro com a camisa do Clube, a Supercopa foi a mais emocionante. Vencer, em plena final, o River Plate por 3 a 0 foi espetacular”.

Mas há outras conquistas que ele faz questão de mencionar: “Não tem como esquecer da vitória histórica sobre o Palmeiras, na final da Copa do Brasil de 1996, quando eu era capitão da equipe, nem da importantíssima conquista da Libertadores da América de 1997. São títulos que tenho o maior orgulho de ter vencido pelo Cruzeiro”. No total, Nonato faturou 14 troféus com a camisa do Maior de Minas. Detalhe: todos como titular.

Não são apenas os títulos, no entanto, que envaidecem o jogador. Têm jogadas que, sem sequer ser perguntado, ele faz questão de relembrar: “Já que vai falar da minha carreira no Cruzeiro, têm dois lances que você não pode deixar de contar. O primeiro foi pela Libertadores de 1994, num jogo contra o Boca Juniors, no Mineirão. Percebi o goleiro adiantado e chutei do meio de campo. A bola viajou e carimbou o travessão. Até hoje me param na rua por conta desse lance. O outro ocorreu pelo Brasileiro de 1993, contra o Bahia. O Macalé cruzou, e eu, de canhota, emendei. O Rodolfo Rodriguez defendeu, mas foi reclamar da zaga e soltou a bola. Esperto, o Ronaldinho foi lá, roubou a redonda e marcou”.

Nonato viveu intensamente o Cruzeiro. Nos momentos de crise, mobilizava o grupo, conversava com os companheiros, buscava soluções para mudar a situação. Não é à toa que foi, por muitos anos, o capitão da equipe. Não demorou a se tornar ídolo da torcida. Sempre que entrava em campo, era ovacionado com o grito de “Nonatooo, Nonatooo”.

Aos 31 anos de idade, sete deles dedicados ao Cruzeiro, Nonato partiu para outro desafio na carreira. O Fluminense, em má situação administrativa e financeira, o contratou para as temporadas 1998/99. Nas Laranjeiras, amargou o rebaixamento do clube para a Série C em 1998. Com a grave crise no clube carioca, rumou para Jundiaí, onde defendeu as cores do Etti, atualmente Paulista Futebol Clube. Lá, ficou até o final do ano, quando retornou às Alterosas, para disputar o Mineiro de 2000. Dessa vez, voltou para defender o Villa Nova. Ficou no time de Nova Lima por pouco tempo. Convidado para um novo projeto, foi para o Vale do Aço, onde colaborou com o surgimento e ascensão do Ipatinga, que possuía apenas dois anos de fundação. Em seguida, foi defender as cores do Guarani, de Divinópolis. Até que surgiu a proposta para voltar à terra natal.

Para ele, nada melhor que encerrar a carreira no estado onde tudo começou. Ficou no América-RN por pouco tempo, aceitando, em seguida, a proposta de contrato do ABC. Durou pouco a nova passagem pelo clube mais tradicional do estado. Em junho de 2002, ele decidiu encerrar a carreira: “Eu estava com 35 anos. O físico, nessa idade, já não é mais o mesmo. Se tivesse atuando num clube em que se divide a responsabilidade, até daria pra levar mais um ano ou dois. Mas, nos times que eu vinha jogando, todo o esquema tático era em cima de mim. Eu já não tinha mais condições físicas para lidar com isso”.

Com a aposentadoria, outros desafios apareceram. “Tudo no futebol, que é o que sei fazer”, diz ele. Primeiro, um convite, em 2002, do Alvimar Perrela para assumir, no Cruzeiro, o cargo de observador técnico. Permaneceu nesse posto por três anos, quando surgiu a oportunidade de ser coordenador da observação técnica do Clube. Em seguida, tornou-se supervisor do infantil e juvenil, comandando, assim, boa parte das divisões de base.

Com o sucesso na ocupação de cargos de bastidores, Nonato recebeu convite para ser auxiliar técnico do Toninho Cerezo no Guarani, de Campinas. Em seguida, acompanhou o treinador no Al-Shabab, da Arábia Saudita. Voltou ao Brasil, onde atualmente se encontra para novos desafios no futebol: “Hoje trabalho no gabinete do vice-presidente de futebol do Cruzeiro e Deputado Estadual, Gustavo Perrela. Descarto trabalhar como técnico, não tenho essa pretensão. Mas exerceria novamente a função de coordenador ou auxiliar técnico”.

Indagado sobre o que representa o Cruzeiro em sua vida, enfatizou: “O Cruzeiro é tudo. Foi onde conquistei todos os títulos da minha carreira. Graças a ele, hoje posso dar estudo de qualidade aos meus filhos e uma vida agradável à família. Sou muito agradecido ao Clube”.

Símbolo do Cruzeiro dos anos 1990, Nonato alcançou o restrito grupo dos grandes ídolos da história do Clube. Hoje, em todo lugar que é visto, recebe o reconhecimento do torcedor celeste. Para ele, este é o maior legado que a vitoriosa passagem pelo Cruzeiro lhe rendeu: “O dinheiro, a euforia das conquistas e o glamour da profissão passam. O carinho e a consideração do torcedor ficam pra sempre. E é isto que verdadeiramente importa”.

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Beatriz – será que é uma estrela?

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Nem se eu tivesse toda inspiração do mundo conseguiria homenagear a  minha Beatriz – aniversariante do dia – com versos tão belos como Beatriz, de Chico Buarque e Edu Lobo.
Para você, meu tesouro mais precioso!
xxx
 
Olha Será que ela é moça 
Será que ela é triste 
Será que é o contrário 
Será que é pintura 
O rosto da atriz 
Se ela dança no sétimo céu 
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel 
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha 
Será que é de louça 
Será que é de éter 
Será que é loucura 
Será que é cenário 
A casa da atriz 
Se ela mora num arranha-céu 
E se as paredes são feitas de giz 
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva para sempre, Beatriz 
Me ensina a não andar com os pés no chão 
Para sempre é sempre por um triz 
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha 
Será que é uma estrela 
Será que é mentira 
Será que é comédia

Será que é divina 
A vida da atriz 
Se ela um dia 
Despencar do céu 
E se os pagantes exigirem biz
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
 
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Cruzeiro 3 x 4 Fluminense – dez considerações

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Foto: Rodrigo Clemente – EM / DA Press

Impossibilitado de ver o jogo, o blogueiro transferiu a responsabilidade das DEZ CONSIDERAÇÕES ao amigo Matheus Reis, que, entre tantas virtudes, é piadista dos bons e, quando fala sério, uma mente diferenciada. Seguem as ótimas considerações de Matheus sobre Cruzeiro 3 x 4 Fluminense:

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1 – Viva a Sul-Minas-Rio! De caráter amistoso ou não, o torneio dá ao Cruzeiro a chance de encarar jogos contra adversários bem mais qualificados que Tombenses e Tricordianos da vida, minimizando possíveis equívocos de avaliação da equipe para o restante de 2016. No primeiro grande desafio do ano, as limitações do elenco foram visíveis

2 – Falando ainda sobre o torneio da Primeira Liga, a torcida deixou um pouco a desejar. Com ingressos a partir de R$ 15, esperava um pouco mais do que os 21.118 pagantes (Renda de R$ 400.748,00). Pesam contra o horário das 19h30 – inviável para muitos trabalhadores – e a desconfiança sobre o time e o trabalho de Deivid.

3 – Gostei bastante da atuação de Sanchez-Miño. Como não o conhecia – e nenhum dos novos gringos – avalio pelo que vejo no estádio. Miño começou bem aberto pela esquerda, como uma ótima opção ofensiva. Sempre atento ao jogo, praticou o famoso “toco y me voy” com muita movimentação, honrando a camisa sete do mestre Marquinhos Paraná.

4 – Definitivamente, nossos maiores problemas estão nas laterais. Na direita, a direção sequer quis sentar com Ceará para negociar uma renovação. Confiou no Mayke que não rende bem desde 2014 e no limitadíssimo Fabiano. Do lado esquerdo, liberou o Mena – bem quisto pelo bicampeão da Libertadores Edgardo Bauza e pelo campeão da Copa América pela seleção chilena Jorge Sampaoli – para contar apenas com Fabrício. Ontem, contra um adversário de qualidade, as deficiências apareceram.

5 – Rafael Silva foi uma grata surpresa. Para além dos dois gols, ele entendeu a necessidade de um atacante que faça o pivô simples, segurando a bola e soltando com velocidade para a chegada dos meias. Confesso que tinha – e tenho – muitas reservas quanto a sua contratação, mas, nas últimas duas partidas, ele esteve bem. Foi o melhor em campo.

6 – Henrique fez uma partida exemplar com boa ocupação de espaço no meio campo, inversões de jogo e muita disposição. Consertou uma besteira do Fabiano e entregou a bola para Élber fazer a jogada do terceiro gol. O esquema camicase deixa espaços que sobrecarregam o sistema defensivo e, portanto, passam a impressão de que falta combate na volância. Mas não foi o caso do camisa oito.

7 – Na montanha russa que é o Arrascaeta, ontem ele fez boa partida. Começou pelo meio, jogou aberto pela direita e depois centralizou novamente se aproximando de Sanchez-Miño quando, em excelente troca de passes, deixou Rafael Silva na cara da meta para fazer o primeiro gol do jogo. Mais combativo, Arrascaeta preencheu espaços e não se omitiu.

8 – Ao final do jogo, Deivid reclamou da falta de experiência do árbitro que nunca havia apitado uma partida de série A. Aí, eu pergunto para o Deivid: “Quantas equipes de série A você já treinou na vida?”. Pois é, segura a onda com esse discursinho e trabalhe, meu filho. Trabalhe muito!

9 – É bom ter o Élber como opção para mudar o panorama do jogo. Assim como fez contra Tombense e Tupi, entrou bem pelo lado direito para suprir a inexistência de um lateral direito. Fez ótima jogada que culminou no gol de Arrascaeta. Resta saber se vai brigar pela titularidade ou continuar com a pecha de jogador de segundo tempo.

10 – A falta de planejamento da diretoria – maior problema de 2016 – ficou latente no jogo de ontem. O elenco não tem equilíbrio. Na lateral esquerda, Fabrício está deitado em berço esplêndido, sem concorrência. Na lateral direita, a opção foi o horroroso Fabiano. Quando Rafael Silva precisou sair, o centro avante disponível foi Vinícius Araújo, que tem alergia de marcar gols. O jogador mais experiente em campo foi Henrique, cuja característica nunca foi pensar o jogo e segurar a bola. Os três gols marcados mostram que há potencial na equipe. Os quatro sofridos mostram que falta muita coisa pra ser acertada. Sem contratações que equilibrem o elenco e com um técnico cru que não parece saber tirar o melhor do que tem em mãos, 2016 vai ser só mais um ano apagado na história cruzeirense.

Matheus Reis, 30, professor de Filosofia da UEMG.

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Quando o Cruzeiro ainda não havia cruzado os caminhos de Ronaldo “Fenômeno” e Alex “Talento”

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Ao lado de Zagallo, Hernani, ex-Atlético; Acima, o goleiro Gléguer, ex-Guarani; Abaixo de Zagallo, Sidney, que jogou no São Paulo e no Fluminense (Foto: Acervo pessoal de Alex)

Um registro raro!

Agachados, cada um numa extrema, os dois maiores craques da história do Cruzeiro depois de Tostão e Dirceu Lopes.

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O primeiro, da esquerda, ainda jogador do São Cristóvão, do Rio de Janeiro. O segundo, infantil do Coxa.

Datada de dezembro de 1992, a foto registra o encontro da delegação que disputaria o Sul-americano Sub-17 na Colômbia com o técnico da seleção principal, Parreira, e o coordenador técnico, Zagallo.

Na competição, Ronaldo consagrou-se artilheiro. Alex certamente não teria brilhado menos, mas acabou cortado da lista, porque machucou o tornozelo e, além disso, não batia idade com os demais. O Sul-americano era para juvenis nascidos em 1976 (Alex, nascido em 77, ainda era infantil).

Naquela época, mal sabiam ambos que suas histórias cruzariam com a do clube que tem páginas heroicas imortais.

Com Ronaldo, esse encontro com o Cruzeiro não demorou. Logo depois do torneio, ainda no primeiro mês de 1993, o Fenômeno desembarcaria na Toca da Raposa.

Já o Talento aguardaria uma década para ser, ao menos de fato, com a camisa do Cruzeiro, o que Ronaldo foi, de fato e de direito, em 1996, pelo Barcelona: o melhor jogador do mundo.

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Rápido e rasteiro: Gabriel Xavier, Topper, Dida, Procópio e alguns pitacos mais

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Algumas opiniões e informações sobre o que de mais importante tem acontecido no Maior de Minas:

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  • Gabriel Xavier vai para o Sport, onde certamente terá mais chances de fazer jogos em sequência. No Cruzeiro, nas poucas oportunidades que recebeu, só soube aproveitar aquelas em que entrou no decorrer do jogo. Sempre que titular, é preciso reconhecer, ele não foi bem. Não há motivos para o torcedor sofrer de viuvez, portanto.
  • Direto dos bastidores. A Topper está muito próxima de ser a nova fornecedora de material esportivo do Cruzeiro. Os valores oferecidos pela empresa teriam agradado à cúpula cruzeirense, que não cogita fechar com as gigantes Nike e Adidas por causa do modelo variável de repasse que utilizam. O clube não abre mão de um valor fixo.
  • Dida, o maior goleiro da história do Cruzeiro, ainda não pendurou as luvas, mas já se prepara para quando abandonar a baliza. Aos 42 anos, ao mesmo tempo em que analisa propostas de alguns clubes brasileiro, ele pavimenta a carreira de treinador no Internacional. Ontem, Dida iniciou a observação de treinos e formulação de relatórios na comissão técnica de Argel Fucks, do Colorado. Serão 50 horas de atividades, conforme exige o curso de treinador da CBF. Boa sorte ao Muralha Azul!
  • Por falar em goleiro ídolo, ontem Gomes, o da Tríplice Coroa, completou 35 anos. Atualmente, o ex-cruzeirense defende o Watford, da Inglaterra, na Premier League. Voltar ao Cruzeiro para encerrar a carreira é uma das metas de Gomes. Ele, porém, admite que é difícil isso acontecer por causa do lugar cativo de Fábio com a camisa número um.
  • Procópio Cardoso, zagueiro do Cruzeiro na conquista da Taça Brasil de 1966, ganhará uma biografia provavelmente ainda este ano. O autor é o cruzeirense Flávio Orsini Costa, jornalista que estreará como escritor do ramo. O prefácio será feito por um companheiro de Procópio na conquista sobre o time de Pelé – o mestre das letras Tostão.

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Cruzeiro 1 x 0 Tupi – dez considerações

Foto: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro / Divulgação

Foto: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro / Divulgação

1 – Outra apresentação pouco convincente, para não dizer preocupante. O time ainda aparenta não ter assimilado a filosofia de Deivid, que já não é mais a mesma da pré-temporada, e sim a de Mano Menezes. Fica a dúvida: é questão de tempo ou o novo treinador não tem conseguido ser didático como se espera? Só o tempo, que tem como prazo de validade o campeonato mineiro, dirá.

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2 – A cada partida ruim, cresce o movimento contra o técnico Deivid. Ainda insisto na convicção de que é necessário dar tempo mínimo ao treinador, para que possa ter um trabalho corretamente julgado e analisado. Quatro jogos oficiais não é tempo razoável e justo para esse tipo de análise, por mais que as apresentações, inclusive a de ontem, estejam longe do ideal que o torcedor sonha para este time.

3 – Cabral e Henrique não têm rendido como no final do ano passado, quando editaram, com Willians aberto pela direita, um trio de volantes consistente na marcação e participativo no ataque. Cabral está ainda mais lento do que comumente é, explorando pouco uma das virtudes que tem, qual seja, o passe em profundidade. Deixou isso de lado para ficar no burocrático e constante toque para o lado. Henrique, por sua vez, tem errado passes e botes que não costumava errar.

4 – Mayke até não vinha fazendo uma partida medonha, como praxe há mais de um ano. Mas, com a lesão sentida ainda na primeira etapa, teve de dar lugar a Fabiano, que mostrou por que, tática e tecnicamente, está à frente do garoto outrora tido como futuro titular da seleção. Fabiano cumpriu a risca o que se espera de um lateral: apoiou sempre que o time detinha a bola e recompôs bem quando exigido defensivamente.

5 – Depois da furada homérica numa conclusão na primeira etapa, já dá para concluir: Rafael Silva não é atacante para um time do tamanho do Cruzeiro! Ele emparelha, tecnicamente, com jogadores de lembrança amarga na história, como Ferreira, André Dias, Weldon, Fábio Pinto e Zé Carlos.

6 – Arrascaeta foi o melhor em campo. Fez o que se espera de jogadores habilidosos quando a defesa adversária passa o ferrolho, como fez a do Tupi ontem: partiu para cima e tentou, na base do drible, desmontar a retranca. Conseguiu assim construir a jogada do gol.

7 – A boa entrada de Arrascaeta escancarou uma incômoda verdade: o Cruzeiro está cheio de jogadores de segundo tempo, capazes de incendiar a partida quando colocados em campo para jogar 20 ou 30 minutos. Se são postos de início, como titulares, viram verdadeiros fogos de palha. Estão nesse rol: Arrascaeta, Marcos Vinícius, Élber e Gabriel Xavier.

8 – Fábio não foi incomodado uma vez sequer na partida. O uniforme dele nem precisa ir para a lavanderia. O que mostra quão ruim é o time do Tupi, lanterna com louvor do campeonato. E pensar que, mais uma vez, mesmo com um adversário fraco, o Cruzeiro pouco rendeu…

9 – O público presente ao Mineirão foi pequeno, talvez fruto da pouca esperança que o time tem dado ao torcedor. Ainda assim, fez barulho, apoiou, jogou junto. No fim da primeira etapa, vaiou, com razão, a apatia e parco futebol da equipe.

10 – Um empate horrível contra o URT, na estreia, uma vitória suada, no último minuto, contra a Tombense, em outra apresentação muito ruim e, finalmente, uma vitória nada empolgante, ontem, contra o Tupi. A campanha, em pontos ganhos, até tem valor, mas é sofrível do ponto de vista do que tem sido apresentado em campo.

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A história por trás da foto (8): Piazza – generosidade sem limites

A foto acima, oitava da série “A história por trás da foto”, foi tirada em 30 de novembro de 2013, dia do lançamento em BH do livro "20 Jogos eternos do Cruzeiro", pela minha esposa.

A foto acima, oitava da série “A história por trás da foto”, foi tirada em 30 de novembro de 2013, dia do lançamento em BH do livro “20 Jogos eternos do Cruzeiro”, pela minha esposa.

Chovia torrencialmente em Belo Horizonte. Se alguma expectativa eu tinha de vender ao menos 50 exemplares de “20 Jogos eternos do Cruzeiro”, ela se desfez à primeira ida até a janela do hotel e verificar que a capital mineira estava debaixo de um dilúvio.

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Minha esposa percebeu o abatimento no meu semblante. Ainda tentou me animar dizendo que o tempo melhoraria e que o evento seria inesquecível, mas eu olhava para a janela e nenhuma esperança tinha de que as palavras dela se cumpririam.

Chegamos ao restaurante atrasados. Por culpa, claro, dela: da chuva. Para nossa surpresa, havia alguns gatos pingados. Literalmente pingados, diga-se de passagem.

Logo me sentei para fazer a dedicatória desses cruzeirenses brutos. Não demorou e uma movimentação mais intensa se iniciou no restaurante. Pensei que eram as pessoas fugindo da chuva de vento que se iniciava.

Mas não! Era Wilson Piazza, nosso eterno capitão, chegando ao lançamento do livro! Uns 10 dias antes, despretensiosamente, eu o havia convidado, por telefone, para o evento. E ele, atencioso e generoso como sempre, ignorou tudo, inclusive o dilúvio, para se fazer presente.

Era 30 de novembro de 2013, 47 anos exatos do 6 x 2 histórico sobre o Santos de Pelé. Era um dia historicamente especial para Piazza.

Já para mim, era um daqueles raros dias que entram para a história da vida como um dos mais felizes da nossa caminhada. Minha esposa tinha razão: inesquecível!

***

Outros posts da série:
A história por trás da foto (1): “Deus existe. E acho que Ele é Cruzeiro”
A história por trás da foto (2): “Faz um gol amanhã, Marcelo!”
A história por trás da foto (3): “Camisa do jogo” x “Não sair do Cruzeiro”
A história por trás da foto (4): “Jogador é tudo burro!”
A história por trás da foto (5): “O livro é mais bonito”
A história por trás da foto (6): Tinga em “A raça de Ismael”
A história por trás da foto (7): “O Sorín vai pro jogo”

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Cruzeiro 2 x 1 Tombense – dez considerações

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Foto: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro

1 – A atuação do Cruzeiro na primeira etapa foi assombrosa. A começar pela morosidade com que o time entrou em campo. Do outro lado, por sua vez, o Tombense, ligado no 220, aprontava terror para cima da defesa celeste. O lado direito, com Mayke e Manoel, foi presa fácil para o ligeiro Paulo Otávio, que, diga-se de passagem, marcou um golaço. Mais a frente, o meio de campo do Cruzeiro parecia um latifúndio improdutivo. Aberto, sem compactação, com espaços amplos para criação e desenvolvimento de jogadas. No ataque, as raras chances criadas foram desperdiçadas por Sanchez Miño ou Rafael Silva. Foi um primeiro tempo tenebroso.

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2 – As trocas no segundo tempo- Cabral por Élber e Marcos Vinícius por Gabriel Xavier – revelaram um outro Cruzeiro nos primeiros 20 minutos. Depois, o Tombense voltou a se achar no jogo, deixando-o mais parelho, equilibrado. Houve ainda, para a etapa final, nítida mudança de postura. Devem ter entendido que nome e fama não ganham jogo.

3 – Rafael Silva fez o gol da vitória, o que por si só já aquilata a atuação dele. Além disso, foi brigador, combativo, algumas vezes até sem muita inteligência, correndo como peru tonto no primeiro combate. Enfim, fez uma atuação honesta, de valor. Tecnicamente, porém, é bastante limitado, de parcos recursos. Não tem condições de ser titular da equipe.

4 – Quanto ao Mayke, não há apenas um mistério a se desvendar (onde foi parar aquele prodígio que despontou e que, apontavam todos, seria titular da seleção). Há outro tão intrigante quanto o primeiro: como consegue, mesmo sem apoiar, sem avançar, permanecendo plantado na defesa, levar tantas bolas nas costas?

5 – Sanchez Miño fez boa partida. Fabrício, nem tanto. Por que Deivid está trocando-os de posição, colocando o lateral de origem na meia e o meia na lateral esquerda? Não vi sentido, sinceramente.

6 – As cobranças de escanteio do Cruzeiro têm sido irritantes. Quando curtos, não dão em nada porque os jogadores se embaralham no lance antes de criar algum risco à defesa. Quando centrados à área, são uns balões inalcançáveis que normalmente param na linha lateral oposta.

7 – Com Élber explorando a ponta direita na segunda etapa, Alisson foi deslocado para a esquerda e… rendeu muito mais! Lá, desde sempre, é o lugar dele, onde tem mais agilidade para executar sua jogada característica, que é a de limpar o lance para dentro e cruzar ou chutar.

8 – Gabriel Xavier, assim como toda a equipe no primeiro tempo, não aproveitou bem a chance que merecidamente recebeu. Embolou-se com Alisson em alguns lances e escondeu-se atrás da marcação em outros. Deve receber outras chances, mas terá a obrigação de render, para não ficar com a estigma de jogador de segundo tempo.

9 – Por que Dedé foi para o banco? Opção de Deivid ou cautela com o jogador que está voltando? Manoel e Bruno Rodrigo estavam inseguros, talvez porque desprotegidos. Mas a dupla ainda não reeditou em 2016 as boas atuações que tiveram no final do ano passado.

10 – Seguem as manifestações impiedosas pelas redes sociais pela cabeça de Deivid. É da turma que só enxerga as deficiências da primeira etapa, e não o acerto na troca dos dois jogadores no intervalo, na bronca pelo marasmo e no ajuste do meio de campo, com preenchimento de espaços. Como elencado em algumas considerações acima, também tenho críticas pontuais a certas atitudes do treinador, isso, porém, não significa que ele não preste ou que não mereça tempo e paz para trabalhar. É preciso paciência.

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As cornetas soaram com força e sem razão.

 

Foto: Washington Alves/Light Press

Foto: Washington Alves/Light Press

Foi uma novela de oito cansativos capítulos. Começou em 26 de janeiro, quando informaram no Superesportes que uma rádio argentina divulgara o interesse do Cruzeiro em Romero, e terminou ontem, com o anúncio oficial.

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Nesse meio tempo, a cada novidade, a cada boletim emitido por jornalistas que apuravam a negociação com fontes argentinas sobre em que pé andavam as tratativas por Romero, pelas redes sociais soavam retumbantes cornetas. Todas apontadas para a diretoria – acusada, entre outras coisas, de incompetência, lentidão, amadorismo, pilantragem, fanfarronice gerencial, falastronismo e outros impronunciáveis defeitos.

Os decibéis da cornetagem aumentaram assim que noticiada a suposta entrada do rival no páreo pelo jogador. Teve até quem propusesse, no Twitter, o assassinato do presidente do Cruzeiro, caso o “chapéu” se confirmasse (sim, deve ter sido força de expressão do sem-noção, mas a literalidade da proposta dele é estarrecedora assim).

Pelo grupos de Whatsapp da vida, via-se de tudo também. De torcedor computando quantos pontos o Cruzeiro já havia perdido no campeonato de contratações (uma coisa maluca e inexplicável criada por uma espécie indecifrável de torcedor) até impropérios, neste caso, injustos e descabidos à diretoria.

Injustos e descabidos porque, em momento algum, nesta negociação de Romero, o Cruzeiro se pronunciou. Tratou tudo como exigiram os irritadinhos que esbravejaram a perda de Cuellar para o Flamengo: em absoluto silêncio.

Ou seja, espinafravam a diretoria sem a existência de ao menos um pronunciamento oficial no caso Romero que pudesse ser submetido a análises críticas.

Cornetavam por cornetar. Cornetavam porque, segundo alguns, o histórico da diretoria em contratações é uma merda, então é descendo a burduna que ela aprende; cornetavam radicalmente porque ser valentão dos teclados está na moda… E por aí vão as modalidades e razões de tantos fóóóns.

O final feliz da negociação, com êxito absoluto da diretoria, deveria provocar reflexões sobre os exageros de algumas críticas e os abusos até criminosos de outras.

Mas isto, sei bem, é pedir demais. O melhor mesmo é desencanar das cornetagens sofridas pela diretoria no caso Romero e focar em outra.

As que este texto receberá.

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