Invasão colombiana a Brasília desperta a alma: é Copa do Mundo!

Foto: Bruno Wickler / IG

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A invasão começou na quarta-feira, véspera do jogo. Bastava uma volta pelos setores hoteleiros norte e sul para perceber que Brasília havia se transformado na Capital da Esperança dos colombianos. Cerca de seis mil deles cortavam as ruas do setor, à pé, esbanjando simpatia e prenunciando, aos gritos, que, no dia seguinte,  “Los Cafeteros” iriam ganhar.

Amanheceu e os seis mil do dia anterior foram elevados ao quadrado. Nas redondezas do Mané Garrincha, não era mau palpite dizer que havia 36 mil colombianos envolvidos com o Colômbia x Costa do Marfim das 13 horas.

“Invasão”, claro, inédita nos 54 anos da Capital Federal. Na história da cidade, jamais um povo, de outra nacionalidade, havia “ocupado” de modo semelhante a cidade sede do poder da maior potência do continente sul-americano.

Do presidente recém-reeleito, Juan Manuel Santos, ao senhor Javier, vendedor ambulante em Medellin. Do Valderrama original aos milhares de sósias “emperucados”. Do garoto de 18 anos que lamentava não ter dinheiro para seguir acompanhando a seleção aos colombianos abastados. Todos estavam lá, como reza o verso da camisa da Colômbia, #UnidosPorUnPais.

Dentro do estádio, o hino colombiano cantado a plenos pulmões pelos milhares de torcedores – de tão emocionante – levou alguns às lágrimas. Muitos (inclusive colombianos) que não se renderam ao choro nessa hora sucumbiram a ele quando o volante marfinense Serey Die revelou ao mundo, aos prantos, a emoção que sentia naquele momento.

Porém, o que importava de fato era a pelota rolando. E rolou, para ansiedade e angústia dos colombianos, que viram uma Costa do Marfim – sem Drogba, mas com Yaya Touré e Gervinho – começar melhor. Até que uma chance clara, claríssima, aos 28 minutos, surgiu para os Cafeteros. Gutiérrez, livre dentro da pequena área, pegou de mal jeito e errou o alvo.

“Falcão, ah, Falcão”, lamentou nessa hora um torcedor colombiano, certo de que a ausente estrela daquele escrete não perderia o “gol feito”.

De importante, a primeira etapa produziu isso. No intervalo, um colombiano insatisfeito com os primeiros 45 minutos descambou a comparar a atual seleção com outra historicamente badalada, a de 1994. Valderrama, Rincón, Asprilla, Aristizábal…  Ele reclamava que aquela tinha uma vibração que esta não tem.

Mas se o quesito é técnico, os comandados de José Pekerman nada devem para Valderrama e companhia. E provaram isso com a segunda etapa praticamente perfeita que fizeram. O primeiro ato desse enredo de triunfo foi aos 18 minutos. Cuadrado cobrou escanteio na cabeça de James Rodríguez, que testou sem chances para Barry.

Seis minutos depois, os Cafeteros ampliaram em jogada que começou com uma bobeada de Serey. Rodríguez puxou o contra-ataque e, na entrada da área, serviu Quintero. O jogador, que havia entrado no segundo tempo, tocou no canto direito do goleiro. E comemorou com direito a dancinha típica.

A festa era belíssima no Mané Garrincha. A ode dos colombianos à seleção, traduzida em gritos ensurdecedores, parecia ecoar pelo Planalto Central inteiro. Mas o silêncio e a aflição voltariam a ter vez  entre os colombianos. Bastou Gervinho fazer belíssima jogada e concluir de forma fatal. O 2 x 1 preocupou a maioria do estádio e encheu de esperança a minoria marfinense.

Houve pressão dos Elefantes, em jogadas quase sempre capitaneadas por Yaya Touré e concluídas por Didier Drogba. Mas havia um gigante colombiano lá atrás, de 37 anos, que não perdia uma: Mário Yepes.

O primeiro ruído do apito final soou alto. Mas só o primeiro ruído, porque a sequência dele logo foi abafada pela comemoração colombiana. Um carnaval sem samba, mas com cumbia, se iniciou no coração do Brasil.

No caminho de volta para casa, eu só pensava em Gabriel Garcia Marquez e naquilo que escreveu em Cem anos de solidão: “As coisas têm vida própria. Tudo é questão de despertar a sua alma.”.

Pedi licença ao gênio e, encantado com o que tinha visto, adaptei a célebre frase: “A Copa do Mundo tem vida própria. Tudo é questão de despertar a sua alma”.

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