O sete de setembro solidário de Alex e Aristizábal em 2003

Foto: Maria Tereza Correia

Foto: Maria Tereza Correia

Recentemente, em razão da publicação do livro 2003: o ano do Cruzeiro, fui perguntado inúmeras vezes sobre o que havia me encantado mais, durante as pesquisas, naquele Cruzeiro tríplice campeão. Sempre respondi da mesma forma, dizendo que a primazia técnica do time eu havia constatado e saboreado em 2003. Escrevendo o livro, apenas revivi o passado, motivo pelo qual não dava para dizer que o futebol jogado por música havia sido a grande descoberta das pesquisas.

Em contrapartida, houve sim algo novo, que se revelou a mim somente escarafunchando acervos e documentos da época: os tantos gestos solidários do Cruzeiro em 2003. Começou em janeiro, com a realização de um amistoso para arrecadar alimentos e agasalhos para milhares de desabrigados pelos temporais do início do ano, e foi até dezembro, com a distribuição de presentes de Natal, por alguns jogadores, num orfanato de BH.

Era, portanto, esse Cruzeiro solidário e altruísta o que mais havia me maravilhado durante a realização do diário 2003: o ano do Cruzeiro.

Ontem, o fato gerador de um desses tantos gestos completou 12 anos. Aconteceu em Barranquilla, na Colômbia, em jogo que marcou a estreia das seleções brasileira e colombiana nas Eliminatórias da Copa de 2006. E o que o Cruzeiro tem a ver com isso?

Pois bem, naquele 7 de setembro, os cruzeirenses Alex e Aristizábal foram adversários, cada um por sua seleção. Mas antes de viajarem para se apresentar aos respectivos treinadores, firmaram, num restaurante de BH, uma aposta do bem. Quem perdesse o jogo teria de doar cestas básicas a uma instituição de caridade mineira. Em caso de empate na partida, ambos arcariam com a filantropia. O encontro foi testemunhado pela imprensa.

A celebração da aposta se deu em clima descontraído, com os amigos se provocando sobre quem levaria a melhor – Brasil ou Colômbia. Ari, embora tenha se rasgado em elogios ao companheiro de Cruzeiro e aos demais integrantes do ataque brasileiro (Kaká, Rivaldo, Ronaldo), cutucou dizendo que os colombianos não só venceriam o Brasil como pisariam no tornozelo de Alex.

O camisa 10 não deixou por menos e desejou sorte ao colombiano contra o melhor ataque do mundo. Depois – em tom um pouco mais sério – comentou a aposta:

Já ajudamos sempre que podemos e, dessa vez, será um prazer ainda maior. Mas quem vai pagar é o Ari. Pode pegar a carteira dele e mandar fazer o cheque adiantado.

E deu Alex realmente. O Brasil, que começou com o camisa 10 do Cruzeiro entre os titulares, derrotou a Colômbia de Aristizábal, que não entrou em campo naquela tarde de domingo. Nada, porém, que eximisse o atacante celeste de, ao chegar em BH, pagar a aposta e fazer o bem.

E pagou, para a felicidade das crianças e velhos da creche e asilo atendidos.

***

Em tempos de desesperança por causa de fronteiras fechadas e guerras que não poupam crianças nem velhos, dá um orgulho danado olhar para o ano mais vitorioso do Cruzeiro e ver que o clube foi campeão no campo e campeoníssimo fora dele.

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