A história por trás da foto (3): Montillo – “camisa do jogo” x “não sair do Cruzeiro”

montillo

Terceira postagem da série “A história por trás da foto”, este clique foi feito em 29 de agosto de 2012, pela minha esposa, em frente ao vestiário do Cruzeiro, no Serra Dourada, em Goiânia.

Animado com o empate heroico na rodada anterior contra o Atlético-MG (aquele 2 x 2 no Independência em que o zagueiro Mateus empatou aos 56 minutos do segundo tempo), enfrentei os 210km que separam Brasília de Goiânia, para assistir Cruzeiro x Atlético-GO, no Serra Dourada.

Era 26 de agosto de 2012, uma quarta-feira.

Viajei com a mochila cheia de livros. Havia acabado de lançar Anos 90: um campeão chamado Cruzeiro e ainda estava naquela hercúlea tarefa de tentar dar visibilidade à obra.

Antes do jogo, no gramado do Serra, comecei a distribuir alguns exemplares. Alexandre Mattos, Benecy Queiroz, Guilherme Mendes, Valdir Barbosa… todos os membros da diretoria presentes receberam. Benecy, que vivenciou dentro do Cruzeiro todos os anos daquela década dourada, foi o que mais se entusiasmou com o presente. Folheou, contou causos da época, confessou sentir saudades do período, enfim, levou um papo animado comigo.

Em campo, o Cruzeiro fez bonito, vencendo o Atlético-GO por 2 x 0. Borges e Wellington Paulista marcaram. Pela primeira vez, assisti a um jogo do Cruzeiro do gramado, experiência que achei incrível, pois me posicionei ao lado do banco do Cruzeiro, onde pude perceber tudo que acontecia por ali, inclusive uma tentativa de sabotagem de Wellington Paulista ao titular Wallyson (um dia conto essa história).

Depois do jogo, assim que cheguei perto do ônibus do Cruzeiro, encontrei um cabisbaixo Lucas Silva. A família do garoto havia descambado de Bom Jesus de Goiás e comparecido em peso ao estádio, para vê-lo em campo.

Nem precisei apertá-lo muito com perguntas para Lucas Silva confessar que, como havia ido bem no clássico, imaginava que sairia jogando ou, na pior das hipóteses, entraria no decorrer do jogo. Celso Roth, no entanto, estranhamente, não o escalou hora nenhuma.

Tentando confortá-lo, tirei um livro da mochila, abri na página que conta a trajetória de Douglas e disse-lhe: seu futebol lembra muito o deste cara aqui. Ele respondeu que já haviam lhe falado isso. Entreguei-lhe o livro pedindo que lesse sobre Douglas e que, como o ex-volante, nos desse alegrias. Senti firmeza no “pode deixar” dele.

Por fim, encontrei-me com Montillo, a estrela daquele time. Perguntei se poderia lhe entregar um livro. Simpático, disse que sim, que aproveitaria as aulas de português que vinha tendo para usar o livro como ferramenta de estudo.

Tiramos a foto e ele, lamentando não ter mais a camisa do jogo para me retribuir o presente, prometeu compensar a gentileza numa próxima vez.

Eu disse que não precisava, bastava não deixar o Cruzeiro no final do ano. Ele apenas sorriu.

E deixou-nos ao cabo de 2012, possibilitando a montagem do time bicampeão de 2013/14.

Olho para trás e vejo que realmente era melhor a camisa.

***

Outros posts da série:
A história por trás da foto (1): “Deus existe. E acho que Ele é Cruzeiro”
A história por trás da foto (2): “Faz um gol amanhã, Marcelo”

3 Responses to “A história por trás da foto (3): Montillo – “camisa do jogo” x “não sair do Cruzeiro””

  1. Muito Legal, Histórias de um verdadeiro Cruzeirense !

  2. Gleidson disse:

    Esse só volta para o Cruzeiro no dia q terminar o mandato do Gilvan rsrsrrsrs

    Mas era um grande jogador, se era!!!!

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