A história por trás da foto (4): “Jogador é tudo burro!”

Quarta postagem da série “A história por trás da foto”, este clique foi feito em 20 de junho de 2010, por um desconhecido, no Aeroporto de Brasília.

Quarta postagem da série “A história por trás da foto”, este clique foi feito em 20 de junho de 2010, por um desconhecido, no Aeroporto de Brasília.

Desde o instante em que resolvi dedicar um livro à década de 90 do Cruzeiro, elegi a história de Fabinho nas quartas de final da Libertadores de 97, contra o Grêmio, como um dos temas obrigatórios da obra. O problema era como encontrar o ex-volante para a entrevista.

O Cruzeiro tentou me ajudar, mas o telefone que constava dos cadastros do clube estava desatualizado. Gottardo também foi à caça de Fabinho, sem êxito, porém. Enfim, depois de muito tempo, com a ajuda de Gélson Baresi, consegui falar com Fabinho.

Ele me atendeu e se prontificou, sim, a dar a entrevista. Mas não aceitava que fosse por telefone. Tinha de ser pessoalmente. Cocei a cabeça pensando nos custos que teria de despender para viajar até o Rio, cidade onde Fabinho se estabeleceu desde a aposentadoria dos gramados.

Mas, para meu alívio, ele emendou logo após à exigência:

- Pode deixar que vou até Brasília para te contar tudo que passei no Cruzeiro…

Três dias depois, Fabinho cumpriu a promessa embarcando para a Capital. Fui buscá-lo no aeroporto e, de longe, no desembarque, o vi caminhar vagarosa e mancamente. Descobri depois que o futebol havia lhe deixado algumas marcas. As dores sem fim eram uma.

Deixei-o no hotel e combinei que, no dia seguinte, passaríamos horas falando de Cruzeiro. E assim se deu.

Conversamos cinco horas seguidas sobre a passagem dele pelo Maior de Minas. Da chegada em 1995 à saída em 1998; das conquistas, como da Copa do Brasil e da Libertadores, às frustrações, como do Mundial de 97; das amizades, como as que têm até hoje com Gélson Baresi e Marcelo Ramos, às rusgas, como a que teve com Levir Culpi.

Chato mesmo só o comentário preconceituoso de um cidadão da mesa ao lado, no restaurante onde estávamos. Deselegantemente, na maior altura, conversando sobre futebol com amigos, o sujeito disse que jogador era “tudo burro”. Fabinho se aborreceu, mudou na hora o humor. Com razão.

De lá saímos para o aeroporto. Fabinho precisava voltar ao Rio. Ainda chateado pelo comentário que ouvira minutos antes, sugeriu que registrássemos aquele momento. Pedi então a um transeunte que tirasse uma foto nossa.

Eis então, acima, o registro do dia em que experimentei da generosidade de Fabinho. E do dia em que Fabinho experimentou da ignorância do ser humano.

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Outros posts da série:
A história por trás da foto (1): “Deus existe. E acho que Ele é Cruzeiro”
A história por trás da foto (2): “Faz um gol amanhã, Marcelo!”
A história por trás da foto (3): “camisa do jogo” x “não sair do Cruzeiro”

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