Cruzeiro 2 x 2 Atlético-PR: dez considerações

Foto: Geraldo Bubniak / Light Press / Cruzeiro

Foto: Geraldo Bubniak / Light Press / Cruzeiro

1 – Cruzeiro e Atlético-PR fizeram uma das piores primeiras etapas do Brasileirão. Foi um festival de passes errados, de falta de criatividade, de finalizações mal executadas. Para os donos da casa, por causa do gol conquistado graças à falha de cobertura de Fabiano e, em parte, ao acaso, acabou que o primeiro tempo não foi daqueles para se apagar da história. Mas, para o Cruzeiro, foi.

2 – Em contrapartida, o segundo tempo do Cruzeiro foi muito bom. Passou praticamente os 45 minutos finais em blitz no campo adversário, pressionando, criando e finalizando contra o gol de Weverton. Com intensidade e volume, o time praticamente transformou a peleja em jogo de um time só. Por isso, merecia melhor sorte em lances como o do gol do Atlético-PR e o de Arrascaeta, quando o jogo já estava 2 a 2. Mas, como há décadas a bola ensina, futebol não perdoa cochilos e má precisão.

3 – A significativa melhora do Cruzeiro na segunda etapa tem de ser creditada à alteração de Mano Menezes no intervalo. A entrada de Arrascaeta no lugar de Marinho mudou não só o jeito de jogar da equipe, já que o uruguaio, jogando pela esquerda, acrescentou técnica e taticamente à equipe. Arrascaeta foi o melhor em campo, pois criou, concluiu, partiu para cima, marcou gol. Só vacilou feio na chance cara a cara que teve, mas que acabou desperdiçando. Ainda assim, o uruguaio saiu de campo como MVP do jogo, na opinião do blogueiro.

4 – Por outro lado… A atuação da dupla Marinho e Leandro Damião, na primeira etapa, foi daquelas capazes de fazer o torcedor viajar no tempo e se lembrar de parcerias que mais pareciam filme de terror. Por exemplo: Diego Clementino e Adriano Chuva, Ferreira e Francismar, Wando e Adriano Louzada. Talvez seja muito dura e implacável a conclusão que as constantes atuações de ambos nos levam a tira, mas Marinho, que perdeu o gol mais feito da partida, não tem patamar técnico para ser jogador de clube da magnitude do Cruzeiro. Definitivamente. E Leandro Damião, que parece caminhar a passos largos para uma derrocada meteórica na carreira, não merece sequer ter cogitada uma renovação de contrato com o clube.

5 – Outros dois cruzeirenses que não estiveram bem foram Fabiano e Cabral. O lateral direito, que tem no aspecto defensivo a sua maior virtude, deixou muito espaço nas costas. Quanto a Cabral, na terça-feira, o blog o elogiou pela regularidade, pelo ótimo passe, pelo “feijão com arroz” comumente bem feito. Só para contrariar, o argentino errou passes à beça e fez uma partida, do ponto de vista ofensivo, abaixo do padrão. Defensivamente, no entanto, esteve bem. Desarmou várias jogadas dos paranaenses e, como de praxe, fechou o lado esquerdo da meiúca celeste.

6 – Há quem enxergue falha de Fábio no segundo gol. O que, além de maldade pura, é a prova cabal de que o camisa 1 celeste deixou essa turma mal acostumada. Não causaria espanto se o goleiro fizesse milagre e espalmasse o petardo do atleticano. Como não aplicou tal milagre, tacharam-no de falhar. É dose essa perseguição dos antis…

7 – O gol de Fabrício colocou fim a um jejum de 29 jogos sem gols de falta do Cruzeiro. Uma eternidade para quem viveu acostumado a comemorar gols assim, marcados por Nelinho, Joãozinho, Paulo Roberto, Palhinha, Valdo, Alex e por aí vai… Tudo bem que há, no lance, pequena falha do goleiro Weverton, mas não dá para tirar os méritos do lateral, que bateu firme, seco, no canto do arqueiro.

8 – Vinícius Araújo fraturou a clavícula e dificilmente voltará a atuar em 2015, segundo Guilherme Mendes, diretor de comunicação do Cruzeiro. O mais lamentável é que, aparentemente, a contusão não se deu em lance de jogo, como sugere a imagem da disputa de bola com o zagueiro Cadu, mas antes, na comemoração do gol de Arrascaeta.

9 – A torcida do Cruzeiro fez bonito na Arena. Embora em menor número, claro, fez-se ouvir mais que a torcida do time da casa em vários momentos do jogo, sobretudo na segunda etapa. “Torcida que canta e vibra” deveria virar refrão cruzeirense depois do que a China Azul tem feito nas arquibancadas em 2015. E não só em Minas, mas Brasil afora.

10 – É o terceiro jogo da “Era Mano” em que o Cruzeiro deixa de faturar três pontos mesmo sendo muito superior ao adversário ou tendo chances claríssimas de vitória. Foi assim contra o rival, quando teve nos últimos minutos, um pênalti desperdiçado e contra o Grêmio, em que foi superior tecnicamente ao terceiro colocado. Seis pontos desperdiçados que poderiam ter nos deixado a dois passos do paraíso do G4.

6 Responses to “Cruzeiro 2 x 2 Atlético-PR: dez considerações”

  1. Bernardo disse:

    Fábio falhou sim. A bola não era indefensável, mas creio eu que o excesso de peso o atrapalhou ao saltar e espalmar a redonda. So porque é considerado ídolo não precisa ser blindado. Falhou sim!

    • Anderson Olivieri disse:

      Viva a discordância, Bernardo. Pensamos diferente. Agora, quanto à sua alegação de “excesso de peso” para explicar a eventual falha, acredito que você pode mais. Tente arrumar outras explicações para as falhas do Fábio. O clichê do “excesso de peso” já saturou. Abs

  2. Guilherme disse:

    Concordo com quase tudo, amigo. Só acho que “torcida que canta e vibra” está no hino do Palmeiras e, por isso, não deve ser adotado pela nossa torcida. Aliás, é o Palmeiras que quer ser Cruzeiro e não o contrário. Felizmente, o Palmeiras começa a naufragar em momento cruciial da temporada. MO começou a ser criticado e já está reclamando do elenco. Palmeiras precisa aprender que sucesso se constrói, não se copia!

    • Anderson Olivieri disse:

      Caro Guilherme, a sugestão de virar refrão cruzeirense é só uma brincadeira, um trocadilho, que tenta mostrar como a expressão se aplica muito mais à torcida celeste do que à palmeirense. Enfim, não escrevi para que o torcedor a leve a sério. Valeu pela audiência, meu velho. Abraço.

      • Guilherme disse:

        Nesse caso, concordo com você. O refrão se aplica muito mais à torcida cruzeirense mesmo. Basta ver o que a China Azul tem feito na Toca 3. Abraços. Parabéns pelo trabalho!

  3. Guilherme disse:

    Ja eh mais que claro q o Arrascaeta tem que ter uma sequencia como titular. Assim como Gabriel Xavier. Alano eh banco e ano que vem tem que ser emprestado para pegar maia experiência. Manoel estava lento por causa da lesão q teve na semana.. Fabiano falhou em alguns lances.. Damiao e Marinho nem banco devem ser.. Ruim de mais… Na base temos melhores jogadores. Bom e pra finalizar… Sou goleiro a anos e digo por exp… O Fabio não falhou… O cara veio com todo pique e pegou mto bem na bola q não deu chance ao goleiro… E por favor parem c essa perseguição em cima do cara…

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