Os perigos de reviver o gol de Geovanni

Foto: acervo Cruzeiro E. C.

Foto: acervo Cruzeiro E. C.

Qual cruzeirense nunca teve vontade de conversar com Geovanni sobre aquele gol aos 44 minutos do 2º tempo, contra o São Paulo, na final da Copa do Brasil de 2000? Particularmente, sempre desejei bombardeá-lo com perguntas do tipo: “por que não tentou se equilibrar para seguir no lance e marcar o gol?”; “como venceu a disputa com Ricardinho para ver quem bateria?”; “Até que ponto Müller foi de fato fundamental na forma como você cobrou a falta?”.

Pois não é que, em julho de 2006, numa viagem ao litoral baiano, a sorte sorriu para mim? Hospedei-me no mesmo hotel que o herói do título mais dramático da história do Cruzeiro. Geovanni curtia férias com a família após temporada sem brilho pelo Benfica. Havia inclusive incerteza quanto à permanência dele nos encarnados.

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Mas isso é outra história, para outro momento. O que importa aqui é que avistei Geovanni na piscina do hotel e não vacilei: apressei o passo e fui lá agradecê-lo pelo único gol que, até hoje, me fez verter lágrimas.

Simpático, o ídolo cruzeirense agradeceu às minhas felicitações e, em seguida, sem reservas, passamos a conversar amenidades. Na verdade, não foi bem uma conversa. Geovanni mais parecia um interrogado que, sem economizar palavras, contava tudo que o curioso inquiridor o perguntava.

Concentramo-nos tanto em reviver a fatídica noite de 9 de julho de 2000 que nos desligamos de tudo. Tudo mesmo. Tanto que nem nos demos conta de que havíamos perdido de vista a pequena Giovana, filha do herói cruzeirense.

- Giovana, Giovana…

Passamos a procurá-la pelos quatro cantos… E nada. Disfarçadamente, de fora, conferi, com os olhos, o fundo da piscina. Nada também. O semblante de Geovanni já não escondia a preocupação.

Até que, finalmente, lá do bar molhado, veio o grito:

- Papai, papai…

A danadinha, sozinha, havia nadado até o outro lado da piscina.

Aliviado, Geovanni admitiu:

- Rapaz, que susto!

Tentando quebrar a tensão, emendei:

- Percebi… Sua cara já estava como a do Rogério Pinheiro, quando olhou pra trás e te viu, com passos de leopardo, em busca da bola mal tocada.

14 Responses to “Os perigos de reviver o gol de Geovanni”

  1. Rômulo disse:

    Engraçado Olivieri eu tinha 11 anos na época e foi a primeira e unica vez que chorei e comecei a rezar com um terço na mão por causa de futebol, pedindo a Deus um gol.

  2. Alan Mendonca disse:

    Voce poderia contar aqui as respostas dele para as perguntas mencionadas acima!

  3. MARCO AURELIO ESTEVES disse:

    Leio o texto todo esperando as respostas dele e nada? Vou fazer igual ao Rogerio Ceni, ajoelhar e chorar! kkkkkkkkkk
    gosto muito de seus textos. Parabéns!

    • Anderson Olivieri disse:

      Hahaha… O legal de posts como este, Marco, é que a gente já aguça a curiosidade para textos futuros. Um dia conto aqui, ou em livro, tudo o que o Geovanni falou. De antemão, para não ser mau, deixo um aperitivo. Geovanni treinava cobranças por cima da barreira. Pegou a bola convicto de que tentaria encobrir a altíssima barreira tricolor. Quem o demoveu da ideia foi Müller. O cara foi efetivamente fundamental. Abs

  4. Lucas Vieira disse:

    Olá! Não entendi o propósito do texto, já que gostaria de ler as respostas que ele deu.
    Você não fará uma continuação?

    Saudações azuis!

    • Anderson Olivieri disse:

      A ideia era contar um episódio pessoal, envolvendo o Geovanni. Mas fique tranquilo pois em breve trarei as respostas em forma de outro post. Abraço.

  5. ninart disse:

    Não sei como infartei naquele dia!
    E seria um duplo Infarto, se André e Cleber ainda não salvassem o que seria o empate do S.P., logo após esse emblemático gol.

  6. José Geraldo disse:

    Eu tinha 12 anos, minha família é toda cruzeirense só um tio meu que é franga, e justo ele tava vendo o jogo comigo me atentando pq o Cruzeiro tava perdendo o título e eu chorando de nervoso fui tomar banho, assim que entrei no banheiro saiu o gol, meu outro tio cruzeirense começou a gritar eu sai correndo de cueca pela casa chorando e fui até na rua de cueca, Sen dúvida esse foi o jogo que fez eu amar o Cruzeiro mais ainda do q já amava.

  7. Marcelo disse:

    O que me foi contato por um idolo cruzeirense que estava na final foi que o Miller disse ao Geovani para bater forte e no chao pq o Levir Culpi sempre pedia para a barreira pular e o Miller, se nao me engano, perguntou primeiro ao Geovanni como ele bateria e como a resposta foi por cima da barreira, ele insistiu para que a falta fosse cobrada rasteira e com forca, disse umas duas ou tres vezes em forma de alerta. O resultado? Eu esmurrei a parede do quarto da minha mae, pq era somente la que tinha TV, depois que doeu os punhos eu dei tapas e gritava, pulava, minha amada e falecida avo ficou doida sem entender absolutamente nada do pq eu estava agindo daquela forma hehe

  8. Guerra disse:

    Lembro como se fosse hoje deste gol do Giovani. Grande Cruzeiro, só me traz alegrias!!!

  9. Rogerio Bastos disse:

    Não contou as respostas, tá parecendo o João Kléber, só faltou o. “para, para, para….”

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