A história por trás da foto (7): “O Sorín vai pro jogo”

A foto acima, sétima da série “A história por trás da foto”, foi tirada em 8 de julho de 2000, véspera da final da Copa do Brasil, pelo meu pai, na Toca da Raposa. Alonso era o lateral esquerdo reserva do Cruzeiro naquela temporada.

A foto acima, sétima da série “A história por trás da foto”, foi tirada em 8 de julho de 2000, véspera da final da Copa do Brasil, pelo meu pai, na Toca da Raposa. Alonso era o lateral esquerdo reserva do Cruzeiro naquela temporada.

Eu tinha 16 anos e nem sonhava em ser jornalista. Só queria saber de Cruzeiro, Cruzeiro e Cruzeiro. Mesmo assim a informação, o furo de notícia, já caía no meu colo de modo a indicar que um dos meus destinos seria o jornalismo.

Prova disso é este encontro com Alonso, lateral esquerdo reserva de Sorín, na véspera da final da Copa do Brasil de 2000. Por determinação do técnico Marco Aurélio, a entrada na Toca da Raposa estava vedada a torcedores e jornalistas.

Eu e meu pai, que havíamos acabado de chegar a Belo Horizonte depois de oito horas de estrada, mesmo barrados no portão principal, não desistimos. Demos a volta e tentamos a entrada pela Toquinha.

Meu velho explicou ao porteiro que meu sonho era entrar no CT, nem que fosse apenas para uma espiada rápida. Gente boa, o rapaz autorizou a nossa entrada. A única exigência era que ficássemos pela Toquinha, sem avançar para além dos campos.

Mal entramos e veio a surpresa. Alonso, cria do Cruzeiro, provavelmente com o intuito de rever colegas da base, chegou ao local. Timidamente, me aproximei e perguntei se poderíamos tirar uma foto. Depois, sem graça, com receio de ouvir uma resposta mais áspera, perguntei se ele estava escalado para a final.

- Não, não, o argentino vai jogar. Eu fico no banco. 

O grande mistério da escalação do Cruzeiro para a decisão era exatamente se Sorín teria condições de atuar. Ele havia sofrido uma pancada na perna esquerda, e Marco Aurélio não escondia a preocupação com a situação do lateral titular. O noticiário do Cruzeiro para a final, por sua vez, não falava em outra coisa: Sorín joga ou não joga?

Marco Aurélio pediu que aguardassem a hora do jogo, pois só um teste de vestiário definiria. Balela! O argentino já estava escalado. Um futuro jornalista já sabia disso.

Ele só não tinha twitter nem facebook.

***

Outros posts da série:
A história por trás da foto (1): “Deus existe. E acho que Ele é Cruzeiro”
A história por trás da foto (2): “Faz um gol amanhã, Marcelo!”
A história por trás da foto (3): “Camisa do jogo” x “Não sair do Cruzeiro”
A história por trás da foto (4): “Jogador é tudo burro!”
A história por trás da foto (5): “O livro é mais bonito”
A história por trás da foto (6): Tinga em “A raça de Ismael”
 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *