O Eurico Miranda que se recusou a pagar Roberto Gaúcho em 1991 é o mesmo que rebaixou o Vasco ontem

Foto: Arquivo Estado de Minas

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Eurico Miranda acaba de dar uma entrevista coletiva histórica. Histórica porque patética, cínica e atentatória ao torcedor vascaíno. O pior de tudo: a verborragia do mandatário acontece um dia depois do terceiro rebaixamento do time no Brasileirão. Nem o luto do torcedor foi respeitado, o que só aconteceria se a renúncia fosse anunciada.

Assistindo à coletiva, lembrei-me de uma conversa que tive com Roberto Gaúcho sobre o presidente vascaíno. O ídolo cruzeirense jogou no Vasco em 1991, depois de passagem destacada pelo Vitória, da Bahia. Chegou ao clube cruzmaltino enxergando ali a oportunidade de ouro da carreira. Tinha 21 anos, era apenas mais um dos tantos garotos imaturos que se submetiam a todos os mandos de Eurico.

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Mas, com Roberto, o abuso ficou insuportável quando o sétimo mês sem pingar dindin na conta chegou. Sem jeito, ele foi à sala de Eurico e explicou que a família no Sul dependia do salário dele para comer. Sem contar que não tinha nem mesmo um tostão no bolso para comprar um sorvete na esquina de São Januário.

O mandatário não gostou nada da lamúria. “De onde você veio?”, perguntou. “Do Vitória”, respondeu Gaúcho em tom quase inaudível. “Pois é, se reclamar muito, você vai voltar para aquela terra de índio”, emendou, bem ao seu estilo, o dirigente. “Aqui você tem uma casona na Barra para morar, tem carro, tem despensa cheia graças ao Vasco… Quer mais o quê?”, concluiu.

Roberto pediu desculpas ao dirigente e se retirou da sala. Com a voz entrecortada pelo charuto preso aos lábios, Eurico mandou que o jogador encostasse a porta. Roberto o atendeu. Fechou a porta para nunca mais abri-la. Nem quando o atraso completou um ano.

Na conversa em que me contou esse episódio, perguntei a Roberto por que tanta passividade. “Eu tinha certeza que um dia ele colheria aquilo que estava plantando comigo e com tantos outros”, explicou-me.

Olho para o presente e percebo que acertou em cheio o ídolo cruzeirense. O tempo da colheita chegou para Eurico.

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