Aristizábal, o ídolo com pressa

Foto: acervo Cruzeiro EC

Foto: acervo Cruzeiro EC

Há quem diga que, para alcançar o status de ídolo, um jogador precisa acumular os seguintes atributos: ótimo futebol, títulos, sintonia com a torcida e longa trajetória no clube.

Pelo Cruzeiro, o ídolo Aristizábal cumpriu quase tudo isso à risca, só faltou a longa trajetória, o que evidencia que não é razoável utilizar o tempo de clube como requisito. O correto é aferir com que intensidade a camisa foi defendida.

E, nesse aspecto, poucos na história do Cruzeiro tiveram passagem tão curta e intensa pelo clube como Ari. Aos que duvidam do que o colombiano aprontou em defesa das cores celestes na breve passagem pela Toca, basta uma leitura detida do livro 2003: o ano do Cruzeiro. Ou do resumão, com citações do livro, que o BLOG reproduz abaixo.

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No dia 15 de janeiro, Aristizábal chegou:

Mais um craque contratado! E, novamente, o anúncio pegou de surpresa até os mais bem informados sobre os bastidores do Cruzeiro. Aristizábal, atacante colombiano de 31 anos, acertou com a Raposa por um ano. 

Três dias depois, num sábado de chuva torrencial, se apresentou:

Por volta das 11h30, o colombiano Aristizábal chegou à Toca da Raposa para ser apresentado oficialmente. Nas primeiras palavras, logo depois de vestir a camisa cinco estrelas, destacou a grandeza do Clube e elogiou a estrutura do CT. 

Estreou, extraoficialmente, no dia 28 de janeiro, num jogo beneficente em prol das vítimas da chuva que castigaram Minas em 2003, e ainda marcou um golaço de bicicleta:

Aristizábal entrou em campo pela primeira vez com a camisa celeste e não economizou. Marcou dois gols, sendo o primeiro de bicicleta, num cartão de visita para deixar animado o mais pessimista torcedor com o novo nome do ataque. 

Em 11 de março, ganhou a titularidade na equipe num treino:

Satisfeito com o desempenho de Aristizábal, o técnico deu dica de que o escalaria entre os titulares no jogo em Patos de Minas. 

No dia seguinte, discutiu com Luxemburgo e foi expulso do treino:

No treino da tarde, Aristizábal discutiu rispidamente com Luxemburgo e, menos de 24 horas após praticamente ser confirmado no time titular para o jogo de domingo, foi afastado da equipe. A discussão aconteceu porque o colombiano não aceitou as instruções do treinador com relação ao seu posicionamento e movimentação. Os dois bateram boca até que Vanderlei resolveu tirá-lo do treino. 

As pazes foram feitas no dia 13 de março, deixando o clima entre Aristizábal e Luxemburgo novamente amistoso:

Pelo menos o desentendimento entre Vanderlei Luxemburgo e Aristizábal foi definitivamente contornado. Tanto que o próprio técnico voltou a escalar o colombiano no time titular.

Em 16 de abril, já pelo Brasileiro, naquele que foi tido como um dos melhores jogos do campeonato, para desespero dos coxas, ele estraçalhou e ajudou o Cruzeiro a vencer por 4 a 3:

A estrela de Aristizábal brilhou. Naquele que foi o melhor jogo do campeonato até ali, o atacante colombiano deitou e rolou.

Repetiu a dose em 11 de junho, quando fez o gol-Matrix que ampliou a vantagem do Cruzeiro na finalíssima da Copa do Brasil, contra o Flamengo:

De novo, Alex cobrou falta pela esquerda. A zaga flamenguista subiu sem sucesso, e a bola sobrou na direita para Aristizábal. O atacante colombiano já havia passado da bola, mas fez malabarismo com o corpo e conseguiu cabecear para a rede. Um verdadeiro golaço! 

Em 20 de julho, usou mais uma vez a bicicleta para marcar um gol monumental, na goleada por 5 a 1 sobre o Paraná: 

O lateral cruzou a bola na área, e Aristizábal, de bicicleta, emendou para o gol. Um golaço daqueles que merecem placa.

Sete dias depois, o colombiano deu uma de Alex e marcou à la Talento, de cobertura, contra o Bahia: 

Mas nos acréscimos da primeira etapa, Aristizábal compensou os lances desperdiçados com um gol de placa. Da entrada da área, tocou por cima de Emerson, do Bahia. A bola morreu na rede. 

Ao ver que o campeonato se afunilava e que sua presença nos jogos era fundamental, pediu dispensa da Seleção Colombiana, em 6 de agosto: 

O atacante Aristizábal anunciou que pediu à Federação Colombiana de Futebol para ser liberado do amistoso contra a Eslováquia. Com isso, não seria mais desfalque para os jogos contra Ponte Preta e Coritiba.  

Na final antecipada do campeonato, dia 20 de setembro, contra o Santos, no Mineirão, foi o melhor em campo, marcando duas vezes e confirmando o que o Brasil inteiro já suspeitava – o melhor time do país era o Cruzeiro: 

Até que aos 14 minutos, Aristizábal fez boa jogada dentro da área, e a bola sobrou para Wendell, que foi derrubado. Pênalti, que foi assinalado pelo árbitro e cobrado pelo colombiano. Na batida, uma cavadinha genial explodiu a torcida na arquibancada. 

Em 25 de outubro, disposto a ajudar, entrou em campo doente: 

No segundo tempo, aos 10 minutos, Luxemburgo fez então as mudanças que mudaram o jogo. Aristizábal – cansado, com febre e no sacrifício – deu lugar a Márcio Nobre. 

Contra o Paraná, no dia 23 de novembro, marcou o gol que deixou a Raposa a uma vitória da glória: 

E foi assim que, aos 36 minutos, para pôr fim ao jejum de oito rodadas sem gol, Aristizábal estufou a rede dos paranaenses – o 21º dele no campeonato. No lance, Alex cruzou, Márcio Nobre cabeceou, o goleiro deu rebote e o atacante colombiano, oportunista, marcou. 

Na semana de preparação para o jogo contra o Paysandu, mais especificamente no dia 25 de novembro, Ari levou as filhas à Toca, para que elas matassem a saudade dele: 

Antes do treino, as filhas de Aristizábal roubaram a cena. Grudadas ao pai, a quem elas não viam havia três meses, Maria Camila e Juanita, de nove e seis anos, respectivamente, brincaram e correram pelo campo. O jogador comentou a chegada da família ao Brasil: “É uma semana muito importante para a gente, que pode coroar um ano de muito trabalho. E poder estar com minhas filhas e esposa neste momento é muito importante”. 

No histórico 30 de novembro, quase marcou gol… Mas o que valeu mesmo foi a festa feita em campo. O Cruzeiro era enfim campeão brasileiro:   

Com sete minutos, Zinho cobrou uma falta pela direita. A bola cruzou toda a área sem ser tocada, apesar dos esforços de Márcio Nobre, Aristizábal e Cris. Carlos Germano também tentou interceptar a trajetória da bola, mas ela morreu no canto esquerdo, fazendo o Mineirão tremer. 

Como nem tudo são flores, no dia 4 de dezembro, entrou em férias forçadas:    

A nota triste ficou por conta das férias antecipadas dadas ao atacante Aristizábal. O colombiano, que suportou as dores no joelho direito durante boa parte do campeonato, foi orientado pelos médicos a realizar uma cirurgia no local, o que o obrigaria a ficar 10 dias distante de qualquer atividade. 

No dia 9, há exatos 12 anos, portanto, recebeu os cumprimentos por seus 32 anos:    

Aristizábal, aniversariante do dia, escapou do tradicional banho de farinha e ovos. Não só porque o elenco estava de folga, mas também em razão da inatividade do jogador. Ainda se recuperando da cirurgia no joelho, o atacante colombiano passou o dia no hotel onde morava. Lá, recebeu os cumprimentos dos amigos e familiares, inclusive das filhas e esposa, que já haviam retornado à Colômbia. 

Depois disso, algumas tratativas para a renovação de contrato foram feitas entre a diretoria e o atacante. Como não chegaram a um acordo, Ari partiu para o Coritiba, deixando de ser um nome do presente para se tornar um ídolo da história.

Alguém ainda duvida?

Super8OFICIAL

One Response to “Aristizábal, o ídolo com pressa”

  1. Rômulo disse:

    Excelente jogador, tive o prazer de ver em campo na minha cidade em Patos de Minas contra a URT quando ganhamos o 1 titulo dos 3 que viriam a ser a Tríplice Coroa.

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