O dia em que Castor de Andrade – o Pablo Escobar brasileiro – foi à Toca

Portão da Toca da Raposa I, por onde Castor de Andrade entrou sem ser incomodado. (Foto: Cruzeiro / reprodução)

Portão da Toca da Raposa I, por onde Castor de Andrade entrou sem ser incomodado. (Foto: Cruzeiro / reprodução)

Ele foi uma espécie de Pablo Escobar brasileiro. Não são poucas as semelhanças que ligam o contraventor brasileiro ao narcotraficante colombiano. Castor era afável com seus comandados, mas não hesitava em mostrar o revólver quando a situação exigia imposição de poder.

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Se não chegou à megalomania de construir o próprio presídio onde cumpriria pena, como Escobar, o bicheiro não se acanhou em provocar uma revolução na carceragem da Polinter, em 1994. As celas foram transformadas em suítes de luxo, com ar-condicionado, lavadora de roupa, televisão e videocassete. Champanhe e caviar compunham o menu das festas dadas por Castor de Andrade na prisão. Até conserto de carros de polícia ele financiou.

Mas está na paixão pelo futebol a semelhança maior do bicheiro brasileiro com o famoso traficante da Colômbia. O primeiro, patrono do Bangu, não perdia um treino sequer do alvirrubro na década de 1980. Já Pablo Escobar, torcedor do Atlético Nacional, fez jorrar dinheiro no clube não só para lavar a grana recebida do tráfico como para fazer do Atlético Nacional o campeão da América em 1988.

Era comum, enquanto solto, ver Escobar desfilando por estádios colombianos em intervalos de partidas. Preso, cansou de receber visitas de jogadores – o mais frequente era o excêntrico goleiro Higuita, e dirigentes de clubes.

Aqui no Brasil, não era menor a moral de Castor de Andrade nos bastidores do futebol carioca. Entrava onde queria. Prova disso foi a ida dele à Toca da Raposa, durante a preparação da Copa do Mundo de 1986, só para presentear Marinho, seu jogador no Bangu, com Cz$ 4 mil – Cz$ 2 mil por cada gol que o ponta marcara em um treino coletivo.

Nesse dia, o bicheiro Castor de Andrade não só entrou tranquilamente nas dependências da Toca, apesar dos portões fechados para imprensa e qualquer pessoa estranha ao staff da seleção brasileira, como foi recebido pelo presidente Benito Masci e seu irmão, o supervisor de futebol Salvador Masci.

Castor não demorou. Entregou o dinheiro, recomendou a Marinho que mantivesse o bom desempenho e deixou o CT. Marinho, sorridente, agradeceu. E se saiu com esta:

- Ele gosta muito dos meus cruzamentos e eu gosto muito dos cruzados dele.

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2 Responses to “O dia em que Castor de Andrade – o Pablo Escobar brasileiro – foi à Toca”

  1. Herlandson Carvalho disse:

    Muito bacana as histórias do Castor, sei de algumas e sempre que leio alguma nova vejo que ele era mais figura ainda… Parabéns pelo Blog A. Olivieri, sempre vejo as matérias e estam cada dia mais interessantes!!!

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