Cruzeiro 2 x 1 Tombense – dez considerações

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Foto: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro

1 – A atuação do Cruzeiro na primeira etapa foi assombrosa. A começar pela morosidade com que o time entrou em campo. Do outro lado, por sua vez, o Tombense, ligado no 220, aprontava terror para cima da defesa celeste. O lado direito, com Mayke e Manoel, foi presa fácil para o ligeiro Paulo Otávio, que, diga-se de passagem, marcou um golaço. Mais a frente, o meio de campo do Cruzeiro parecia um latifúndio improdutivo. Aberto, sem compactação, com espaços amplos para criação e desenvolvimento de jogadas. No ataque, as raras chances criadas foram desperdiçadas por Sanchez Miño ou Rafael Silva. Foi um primeiro tempo tenebroso.

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2 – As trocas no segundo tempo- Cabral por Élber e Marcos Vinícius por Gabriel Xavier – revelaram um outro Cruzeiro nos primeiros 20 minutos. Depois, o Tombense voltou a se achar no jogo, deixando-o mais parelho, equilibrado. Houve ainda, para a etapa final, nítida mudança de postura. Devem ter entendido que nome e fama não ganham jogo.

3 – Rafael Silva fez o gol da vitória, o que por si só já aquilata a atuação dele. Além disso, foi brigador, combativo, algumas vezes até sem muita inteligência, correndo como peru tonto no primeiro combate. Enfim, fez uma atuação honesta, de valor. Tecnicamente, porém, é bastante limitado, de parcos recursos. Não tem condições de ser titular da equipe.

4 – Quanto ao Mayke, não há apenas um mistério a se desvendar (onde foi parar aquele prodígio que despontou e que, apontavam todos, seria titular da seleção). Há outro tão intrigante quanto o primeiro: como consegue, mesmo sem apoiar, sem avançar, permanecendo plantado na defesa, levar tantas bolas nas costas?

5 – Sanchez Miño fez boa partida. Fabrício, nem tanto. Por que Deivid está trocando-os de posição, colocando o lateral de origem na meia e o meia na lateral esquerda? Não vi sentido, sinceramente.

6 – As cobranças de escanteio do Cruzeiro têm sido irritantes. Quando curtos, não dão em nada porque os jogadores se embaralham no lance antes de criar algum risco à defesa. Quando centrados à área, são uns balões inalcançáveis que normalmente param na linha lateral oposta.

7 – Com Élber explorando a ponta direita na segunda etapa, Alisson foi deslocado para a esquerda e… rendeu muito mais! Lá, desde sempre, é o lugar dele, onde tem mais agilidade para executar sua jogada característica, que é a de limpar o lance para dentro e cruzar ou chutar.

8 – Gabriel Xavier, assim como toda a equipe no primeiro tempo, não aproveitou bem a chance que merecidamente recebeu. Embolou-se com Alisson em alguns lances e escondeu-se atrás da marcação em outros. Deve receber outras chances, mas terá a obrigação de render, para não ficar com a estigma de jogador de segundo tempo.

9 – Por que Dedé foi para o banco? Opção de Deivid ou cautela com o jogador que está voltando? Manoel e Bruno Rodrigo estavam inseguros, talvez porque desprotegidos. Mas a dupla ainda não reeditou em 2016 as boas atuações que tiveram no final do ano passado.

10 – Seguem as manifestações impiedosas pelas redes sociais pela cabeça de Deivid. É da turma que só enxerga as deficiências da primeira etapa, e não o acerto na troca dos dois jogadores no intervalo, na bronca pelo marasmo e no ajuste do meio de campo, com preenchimento de espaços. Como elencado em algumas considerações acima, também tenho críticas pontuais a certas atitudes do treinador, isso, porém, não significa que ele não preste ou que não mereça tempo e paz para trabalhar. É preciso paciência.

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4 Responses to “Cruzeiro 2 x 1 Tombense – dez considerações”

  1. O Deivid no primeiro jogo valendo, colocou na minha opinião, o que tinha de melhor em campo. Só discordo que depois da partida em sua entrevista. Disse : ” O time não teve vontade de vencer “. Não disse nenhuma mentira, só que na gíria do boleiro, é trair os comandados. Que ” brigue ” com os jogadores nos vestiários e chame a responsabilidade pra si . Lembrei da passagem do ex zagueiro da Seleção Oscar pelo Cruzeiro.

  2. Fernando disse:

    Vi outro jogo. Vi incoerência do Deivid nas mexidas entre as duas partidas. Vi-o salvo pelo talento do Marcus Vinícius que foi o melhor meia do jogo anterior e perdeu inexplicavelmente a posição.
    Mas sobretudo, não vi nada no Sanchez Mino, nem no Mineirão in loco, nem ontem. Achei-o lento, sem recursos e perdidão. O lance do gol foi meio a meio a lambança do Xavier, que larga o cara, e do Manoel que erra o bote, mas a corneta contra o Mayke é impiedosa…

    Ontem pelo menos 6 caras foram nota 4 e o Mayke, que foi mal, nota 5. E nesse 4-2-3-1 estático, defasado mesmo, o Deivid além de se queimar ainda vai ferrar com os laterais que embolam com os meias a cada subida e não tem saída de jogo, pela falta de movimentação do meio, com o Cabral e o Henrique que jogando em linha longe dos meias não conseguem proteger a defesa.

    Foi mas reação do que ação, mas a entrada do MV vindo de trás no segundo tempo e o fato de ele ter prendido os laterais e espetado um ponta pode ser uma solução se bem trabalhada.
    Minha falta de paciência com o Deivid não vem de resultados mas da falta de conexão do discurso dele com as ações. Não o vejo “enxergando” o jogo.

    Abs.

  3. João Henrique disse:

    Anderson,

    Devido ao fato de nossos laterais serem de qualidade duvidosa e, ainda por cima, não temos reservas capacitados para a posição, não seria interessante o Cruzeiro jogar em um sistema inovador, ao estilo 3-1-3-3 ou 3-1-4-2?

    Visto que possuímos muitos volantes e meio-campistas de qualidade, que fariam a função de um lateral, sendo um volante-meia mais aberto, que proporcionaria mais qualidade na marcação e criação de jogadas, visto que nossos laterais são totalmente inférteis.

    Ficaria assim:

    Fábio

    Manoel Dedé Bruno Rodrigo

    Romero

    Marciel Ariel Cabral

    Marcos Vinícius

    Pisano Alisson
    Willian

    Temos muitas opções de qualidade para um estilo de jogo assim…

    O que acha, Anderson?

    Abraço!

  4. Gabriel disse:

    Eu disse outro dia que vitórias camuflam as más atuações do Henrique. Novamente isso acontece. Ontem, de novo, não roubou bola, não criou nada e nem finalizou uma bola. Pra que ele vai pra área no escanteio ofensivo? Quantos gols de cabeça ele fez nos mais de 300 jogos?

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