Cruzeiro 3 x 4 Fluminense – dez considerações

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Foto: Rodrigo Clemente – EM / DA Press

Impossibilitado de ver o jogo, o blogueiro transferiu a responsabilidade das DEZ CONSIDERAÇÕES ao amigo Matheus Reis, que, entre tantas virtudes, é piadista dos bons e, quando fala sério, uma mente diferenciada. Seguem as ótimas considerações de Matheus sobre Cruzeiro 3 x 4 Fluminense:

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1 – Viva a Sul-Minas-Rio! De caráter amistoso ou não, o torneio dá ao Cruzeiro a chance de encarar jogos contra adversários bem mais qualificados que Tombenses e Tricordianos da vida, minimizando possíveis equívocos de avaliação da equipe para o restante de 2016. No primeiro grande desafio do ano, as limitações do elenco foram visíveis

2 – Falando ainda sobre o torneio da Primeira Liga, a torcida deixou um pouco a desejar. Com ingressos a partir de R$ 15, esperava um pouco mais do que os 21.118 pagantes (Renda de R$ 400.748,00). Pesam contra o horário das 19h30 – inviável para muitos trabalhadores – e a desconfiança sobre o time e o trabalho de Deivid.

3 – Gostei bastante da atuação de Sanchez-Miño. Como não o conhecia – e nenhum dos novos gringos – avalio pelo que vejo no estádio. Miño começou bem aberto pela esquerda, como uma ótima opção ofensiva. Sempre atento ao jogo, praticou o famoso “toco y me voy” com muita movimentação, honrando a camisa sete do mestre Marquinhos Paraná.

4 – Definitivamente, nossos maiores problemas estão nas laterais. Na direita, a direção sequer quis sentar com Ceará para negociar uma renovação. Confiou no Mayke que não rende bem desde 2014 e no limitadíssimo Fabiano. Do lado esquerdo, liberou o Mena – bem quisto pelo bicampeão da Libertadores Edgardo Bauza e pelo campeão da Copa América pela seleção chilena Jorge Sampaoli – para contar apenas com Fabrício. Ontem, contra um adversário de qualidade, as deficiências apareceram.

5 – Rafael Silva foi uma grata surpresa. Para além dos dois gols, ele entendeu a necessidade de um atacante que faça o pivô simples, segurando a bola e soltando com velocidade para a chegada dos meias. Confesso que tinha – e tenho – muitas reservas quanto a sua contratação, mas, nas últimas duas partidas, ele esteve bem. Foi o melhor em campo.

6 – Henrique fez uma partida exemplar com boa ocupação de espaço no meio campo, inversões de jogo e muita disposição. Consertou uma besteira do Fabiano e entregou a bola para Élber fazer a jogada do terceiro gol. O esquema camicase deixa espaços que sobrecarregam o sistema defensivo e, portanto, passam a impressão de que falta combate na volância. Mas não foi o caso do camisa oito.

7 – Na montanha russa que é o Arrascaeta, ontem ele fez boa partida. Começou pelo meio, jogou aberto pela direita e depois centralizou novamente se aproximando de Sanchez-Miño quando, em excelente troca de passes, deixou Rafael Silva na cara da meta para fazer o primeiro gol do jogo. Mais combativo, Arrascaeta preencheu espaços e não se omitiu.

8 – Ao final do jogo, Deivid reclamou da falta de experiência do árbitro que nunca havia apitado uma partida de série A. Aí, eu pergunto para o Deivid: “Quantas equipes de série A você já treinou na vida?”. Pois é, segura a onda com esse discursinho e trabalhe, meu filho. Trabalhe muito!

9 – É bom ter o Élber como opção para mudar o panorama do jogo. Assim como fez contra Tombense e Tupi, entrou bem pelo lado direito para suprir a inexistência de um lateral direito. Fez ótima jogada que culminou no gol de Arrascaeta. Resta saber se vai brigar pela titularidade ou continuar com a pecha de jogador de segundo tempo.

10 – A falta de planejamento da diretoria – maior problema de 2016 – ficou latente no jogo de ontem. O elenco não tem equilíbrio. Na lateral esquerda, Fabrício está deitado em berço esplêndido, sem concorrência. Na lateral direita, a opção foi o horroroso Fabiano. Quando Rafael Silva precisou sair, o centro avante disponível foi Vinícius Araújo, que tem alergia de marcar gols. O jogador mais experiente em campo foi Henrique, cuja característica nunca foi pensar o jogo e segurar a bola. Os três gols marcados mostram que há potencial na equipe. Os quatro sofridos mostram que falta muita coisa pra ser acertada. Sem contratações que equilibrem o elenco e com um técnico cru que não parece saber tirar o melhor do que tem em mãos, 2016 vai ser só mais um ano apagado na história cruzeirense.

Matheus Reis, 30, professor de Filosofia da UEMG.

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4 Responses to “Cruzeiro 3 x 4 Fluminense – dez considerações”

  1. João Paulo disse:

    bacana.

  2. Leo Anchieta disse:

    Melhor texto da história do blog.

  3. Gabriel disse:

    Qualquer lateral que não tenha proteção vai ficar exposto aos atacantes adversários. Até o comentarista do jogo viu isso ontem. E quem tem essa como uma das principais funções? Volantes ou Cabeças de Área, como queiram. Aí vem o responsável pelas considerações e elogia o Henrique? Todos enxergaram essa deficiência meu caro. Time adversário chega fácil na nossa defesa. Diego Souza desfilou pelo meio, sem que o nosso primeiro volante lhe desse combate. Obs: pq nenhum comentário sobre nosso goleiro nas considerações? No mínimo estranho. Enquanto Fábio e Henrique forem considerados referência no Cruzeiro, estaremos lascados.

  4. Leandro disse:

    Gostei. Simples, rapido e rasteiro igual ao antigo ataque do cruzeiro

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