Com Natal, atraso de salário não tinha perdão

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Atraso de salário no futebol brasileiro já é algo cultural. Todos os clubes atrasam. Uns menos, como o Cruzeiro, outros mais, como o Atlético Mineiro. Mas nenhum pode se gabar dizendo “desta água nunca bebi”.

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A má prática dos clubes está tão enraizada na cultura do futebol brasileiro que remonta aos anos 1930 e 40, tempos ainda de amadorismo. Não foram poucas as vezes, por exemplo, que Heleno de Freitas teve de socorrer companheiros de Botafogo que estavam, por causa de atraso no salário, próximos do despejo por inadimplência no aluguel.

Depois disso, surgiram milhares de outras histórias com o mesmo pano de fundo: atraso de salário.

Sempre elegi a melhor delas uma que se passou no Cruzeiro, no início dos anos 1970. Era brava a crise financeira do clube no período.

Para se ter uma ideia do perrengue por que passavam os jogadores celestes daquela época, um deles, o beque Mário Tito, não tinha dinheiro sequer para registrar o filho que nascera. Mesmo assim, ele preferiu aguardar silenciosamente, sem protestos, os três meses de salários devidos.

Mas Natal, o Diabo Louro, não teve a mesma parcimônia. Inconformado com as promessas não cumpridas do vice-presidente do clube, infernizou a vida da diretoria com um aviso colado na porta do próprio carro:

O SENHOR CARMINE FURLETTI ESTÁ PAGANDO AS MINHAS DÍVIDAS. PROCUREM O HOMEM”.

Dizem que Natal não precisou andar dois dias com o cartaz no vidro. Rapidinho, seu Carmine tratou de pagar o ponta arretado.

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2 Responses to “Com Natal, atraso de salário não tinha perdão”

  1. Muito Bom, Anderson. Tem muitas histórias curiosas o Nosso Maior de Minas.

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