Cruzeiro 0 x 0 URT – dez considerações

Foto: Douglas Magno

Foto: Douglas Magno

1 – Péssima partida, de raras jogadas perigosas, de excessivos toques de lado que em nada resultam. Faltou movimentação aos homens de frente; passagem ao ataque dos laterais, principalmente de Mayke; entusiasmo a figuras como Arrascaeta e Marcos Vinícius; ousadia a Alisson para arriscar jogadas em mano a mano; perícia a Willian nas finalizações. Enfim, péssima estreia cruzeirense no Ruralzão.

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2 – Se vai insistir no esquema adotado, Deivid precisa ajustar a movimentação e “agressividade” da equipe, sobretudo dos jogadores que ocupam as duas últimas linhas. Caso contrário, há grandes chances de o tiki-taka que ele tenta implementar ser, além de enfadonho, como foi ontem, um fiasco taticamente.

3 – Não dá, porém, para a responsabilidade da atuação e do resultado de ontem ser colocada apenas na conta do treinador. A pouca inspiração e aparente falta de vontade dos jogadores é encargo exclusivo deles próprios. Início de temporada, dinheiro na conta, por que tamanha apatia em campo?

4 – Dedé, de volta ao time titular após mais de um ano fora, teve boa atuação. Saiu-se melhor do que o companheiro Manoel, que se atrapalhou em dois lances, entregando perigosamente a rapadura em um deles. Nota 8 para Dedé e 5 ao, ontem, razoável Manoel.

5 – Estão sendo sofríveis as atuações de Arrascaeta. Contra o Criciúma, o uruguaio já havia se mostrado apático, desinteressado, indiferente. Ontem repetiu o péssimo repertório. É hora de efetivar, no time titular, o sempre entusiasmado Gabriel Xavier, que, aliás, tem mais refino com a bola no pé e inteligência para criar jogadas do que Arrascaeta.

6 – Aos 19 do 2º tempo, Deivid fez, de uma vez só, as três substituições. Saíram Arrascaeta, Alisson e Willian. Entraram Gabriel Xavier, Douglas Coutinho e Sanchez Miño. O gesto corajoso lembra muito o de Luxemburgo de 2003, que virava e mexia promovia todas as alterações possíveis numa tacada só. Ontem, se o que Deivid pretendia era unicamente mudar a cara do time, que vinha mal em campo, está valendo. Mas se foi um ato de desespero, é preocupante.

7 – De tão regular que costuma ser, é raro se deparar com uma má atuação de Henrique, embora torcedores mais exigentes insistam em persegui-lo. Ontem, no entanto, foi um dos dias em que a exceção sobressaiu-se à regra. Henrique esteve muito mal em campo, errando passes em demasia, perdendo disputas de bola, por cima e por baixo, que não costuma perder e embolando-se com Cabral na cabeça da área. Ontem, finalmente, os cornetas do bom Henrique tiveram razão.

8 – Se as duas bolas na trave, uma chutada por Willian e outra cabeceada por Alisson, tivessem entrado, nada mudaria a concepção do torcedor sobre o time e a atuação. Catastrófico não foi o resultado, mas o desempenho.

9 – A torcida foi o grande personagem do jogo. Não parou de cantar nem após sacramentado o péssimo resultado. Segundo informações, foi a Geral Celeste quem comandou esse apoio incondicional. Palmas, portanto, a essa organizada que há muito me orgulha.

10 – Começaram, pelas redes sociais, os tolos e prematuros pedidos de demissão do técnico Deivid. Difícil compreender, e respeitar, esse tipo de torcedor imediatista.

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Romário no Cruzeiro de 2003. Já pensou?

Foto: Júlio Nagib / Acervo O Globo

Foto: Júlio Nagib / Acervo O Globo

Hoje é aniversário do Baixinho. O herói do tetra virou cinquentenário.

Infelizmente, esse gênio do futebol mundial jamais vestiu a camisa cinco estrelas, mas, acredite, ele foi cogitado para o ataque daquele time de 2003.

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Aconteceu assim: Romário atuava no futebol do Qatar. Em meados de abril, o contrato dele com o Al Saad se encerrou. Na mesma época, o Cruzeiro buscava no mercado um atacante para suprir as saídas de Marcelo Ramos e Jussiê.

Não demorou para que fortes rumores indicassem que o Baixinho desembarcaria no time que, àquela altura, já voava baixo rumo a todos os canecos no ano.

Zezé Perrella, então Superintendente de Futebol do Clube, viu com bons olhos a chegada da estrela mundial:

É um nome, sim, a se pensar. Fazer gols é com ele.

A declaração do dirigente acendeu ainda mais os boatos de que Romário chegaria ao Cruzeiro, para fazer parceria com Alex, Ari e Deivid.

Mas isso só durou até a primeira coletiva do presidente da Raposa, Alvimar Perrella. Ele tratou logo de negar com veemência as chances de chegada do camisa 11:

Romário jamais se encaixaria no perfil do Cruzeiro. Nosso grupo é muito bom, coeso, extremamente unido. E, sinceramente, tenho várias restrições ao Romário, pois é um jogador complicado de lidar no dia a dia, não gosta de treinar. Acho que não se encaixaria no nosso grupo hoje.

Foi assim que nasceu e morreu o segundo rumor (o primeiro aconteceu, de acordo com o leitor Victor Daniel, em 1998/99) de que Romário vestiria a camisa cinco estrelas.

Quase 13 anos depois, fica a dúvida: com Romário, teríamos um ano ainda mais recheado de gols e encanto ou 2003 não teria sido perfeito como foi?

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Cruzeiro 1 x 1 Criciúma – dez considerações

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Foto: Mauricio Vieira/Light Press/Cruzeiro

1 – O Cruzeiro esteve longe de ser encantador, o que nem o Cruzeiro de 2003 foi em seu segundo jogo na temporada, e muito menos de ser um desastre, como alguns têm sustentado pelas redes sociais. O time oscilou no jogo, tendo momentos em que foi superior e outros em que sofreu pressão do adversário. Tudo dentro do script normal de início de temporada.

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2 – Fábio falhou no gol do Criciúma, o que foi suficiente para soar a corneta daqueles que não se conformam com o fato de o Cruzeiro ter sido bicampeão brasileiro, eliminando assim o único argumento razoável que tinham para pegar no pé do goleiro – – o de que ele não conquista grandes títulos. Redimiu-se com três grandes defesas, uma delas um milagre em cabeçada à queima-roupa.

3 – A zaga ainda precisa evoluir bastante para passar segurança ao torcedor. No jogo aéreo, foi um deus-nos-acuda. Por baixo, Bruno Rodrigo até se saiu bem nos duelos mano a mano, mas Manoel, por sua vez, se enrolou em dois lances. O problema da falta de proteção na frente da zaga, obviamente, expõe ainda mais o setor a situações de risco, o que demonstra como é urgente que se melhore o sistema defensivo de modo geral.

4 – De animador, o Cruzeiro mostrou bom controle da posse de bola, com excelente troca de passes e muita movimentação, principalmente no primeiro tempo. O lance do gol de Alisson mostra isso.

5 – Mayke entrou 2016 com o mesmo desempenho de 2015. Preguiçoso, sem ímpeto para avançar, exagerando nos passes para trás… Onde foi parar o Mayke de 2013 e 2014, pelo amor de Deus?

6 – Da direita para a esquerda. Fabrício se saiu muito bem, talvez o melhor em campo. Participativo, fechou bem a defesa pelo lado esquerdo e, com a bola, chegou várias vezes à linha de fundo, resultando, uma delas, no gol cruzeirense.

7 – Nos lances de ataque do Criciúma, percebia-se os enormes buracos na meia-cancha cruzeirense. Com Henrique e Cabral, dois volantes “não-brucutus”, é necessário muito treinamento para que a sintonia seja perfeita e os espaços inexistam. Paciência será a palavra de ordem ao torcedor nesse quesito.

8 – Gabriel Xavier entrou muito bem, acabando com o marasmo que sobreveio ao Cruzeiro na metade do segundo tempo. Teve uma chance boa de marcar, mas dominou a bola adiantando-a um pouco além da conta. Em 20 minutos em campo, fez mais do que Arrascaeta em 70. O uruguaio que abra o olho.

9 – Agora com a camisa 9, pode ser que Willian Bigode tenha dificuldades em conviver com a obrigação de ser o centroavante, o marcador de gols. O jogo de ontem deixou essa impressão. Nunca, na carreira, teve essa responsabilidade nas costas. A conferir.

10 – A camisa do Cruzeiro, em sua parte nobre, ficou mais bonita com a logo da Caixa do que era com a do Supermercados BH. Mas no todo, a camisa é poluída, cheia de informação, com um patch que só serve para encher ainda mais uma frente que ainda conta com a marca do fornecedor de material esportivo e, nos ombros, com a logo da Cemil. Uma pena que, nos dias atuais, a necessidade de levantar grana seja mais importante do que a preservação daquilo que é belo pela própria natureza, como a camisa do Cruzeiro.

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O dia em que Castor de Andrade – o Pablo Escobar brasileiro – foi à Toca

Portão da Toca da Raposa I, por onde Castor de Andrade entrou sem ser incomodado. (Foto: Cruzeiro / reprodução)

Portão da Toca da Raposa I, por onde Castor de Andrade entrou sem ser incomodado. (Foto: Cruzeiro / reprodução)

Ele foi uma espécie de Pablo Escobar brasileiro. Não são poucas as semelhanças que ligam o contraventor brasileiro ao narcotraficante colombiano. Castor era afável com seus comandados, mas não hesitava em mostrar o revólver quando a situação exigia imposição de poder.

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Se não chegou à megalomania de construir o próprio presídio onde cumpriria pena, como Escobar, o bicheiro não se acanhou em provocar uma revolução na carceragem da Polinter, em 1994. As celas foram transformadas em suítes de luxo, com ar-condicionado, lavadora de roupa, televisão e videocassete. Champanhe e caviar compunham o menu das festas dadas por Castor de Andrade na prisão. Até conserto de carros de polícia ele financiou.

Mas está na paixão pelo futebol a semelhança maior do bicheiro brasileiro com o famoso traficante da Colômbia. O primeiro, patrono do Bangu, não perdia um treino sequer do alvirrubro na década de 1980. Já Pablo Escobar, torcedor do Atlético Nacional, fez jorrar dinheiro no clube não só para lavar a grana recebida do tráfico como para fazer do Atlético Nacional o campeão da América em 1988.

Era comum, enquanto solto, ver Escobar desfilando por estádios colombianos em intervalos de partidas. Preso, cansou de receber visitas de jogadores – o mais frequente era o excêntrico goleiro Higuita, e dirigentes de clubes.

Aqui no Brasil, não era menor a moral de Castor de Andrade nos bastidores do futebol carioca. Entrava onde queria. Prova disso foi a ida dele à Toca da Raposa, durante a preparação da Copa do Mundo de 1986, só para presentear Marinho, seu jogador no Bangu, com Cz$ 4 mil – Cz$ 2 mil por cada gol que o ponta marcara em um treino coletivo.

Nesse dia, o bicheiro Castor de Andrade não só entrou tranquilamente nas dependências da Toca, apesar dos portões fechados para imprensa e qualquer pessoa estranha ao staff da seleção brasileira, como foi recebido pelo presidente Benito Masci e seu irmão, o supervisor de futebol Salvador Masci.

Castor não demorou. Entregou o dinheiro, recomendou a Marinho que mantivesse o bom desempenho e deixou o CT. Marinho, sorridente, agradeceu. E se saiu com esta:

- Ele gosta muito dos meus cruzamentos e eu gosto muito dos cruzados dele.

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Marketing do Cruzeiro errou. Torcedores pedem mudanças no departamento

Robson Pires ao lado de Bruno Vicintin e Gilvan Tavares (Foto: Cruzeiro/Divulgação)

Robson Pires ao lado de Bruno Vicintin e Gilvan Tavares (Foto: Cruzeiro/Divulgação)

Patrocínio foi o assunto que tomou conta ontem do noticiário cruzeirense. Não por causa do anúncio da rede de hotéis econômicos Super 8 como nova parceira do clube, mas em razão da nota emitida pela direção dos Supermercados BH noticiando a rescisão de contrato de patrocínio com o Cruzeiro.

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As redes sociais efervesceram. Todos, inclusive este blogueiro, pediam pronunciamento da diretoria celeste, explicando os motivos que levaram um parceiro antigo a romper os vínculos com o clube de forma nada amigável.

Uma nota pouco elucidativa foi veiculada no site oficial. Mais desconfianças sobrevieram. Houve até quem comentasse que a ruptura era manobra de Zezé Perrella com Pedrinho Lourenço, dono da rede de supermercados, para enfraquecer Gilvan de Pinho Tavares na presidência e clarear ainda mais o caminho de volta do antigo mandatário.

A verdade, porém, veio à tona no início da noite. A ira de Pedrinho Lourenço tinha um nome e sobrenome: Róbson Pires. Eles se desentenderam por causa do tratamento aparentemente leniente que o diretor de marketing deu à marca do Supermercados BH desde o fechamento de contrato com a Caixa. Nem mesmo o local na camisa onde passaria a ser estampada a marca do Supermercados BH foi informado ao antigo patrocinador, após a chegada da Caixa.

Irritado, Pedrinho, que faz questão de avisar que continua conselheiro do clube, amigo da cúpula de dirigentes e detentor do percentual de alguns jogadores do elenco, rompeu comercialmente com o Cruzeiro, sem esconder que por culpa do abandono e descuido do Marketing com a marca que, quando o clube precisou, o socorreu.

A rescisão de contrato do Supermercados BH com o Cruzeiro não foi o único resultado à negligência do departamento de marketing. Uma onda de manifestações tomou conta das redes sociais pedindo imediata interferência da diretoria no departamento. A demissão de Róbson Pires, apontado como pessoa estranha ao mercado de marketing e publicidade, já que é advogado por formação, foi uma das pautas mais cobradas. Um dos nomes pedidos para o lugar de Pires foi o de Henrique Borges, conhecido por fazer o perfil Kalil Indelicada e detentor de vasto currículo na área.

Por não ter conseguido ouvir Róbson Pires, o blog abstém-se de formar juízo quanto à demissão do diretor. Mas que o caso exige explicações dele próprio, isso é inquestionável.

E explicações rápidas, bem rápidas. O que tem sido difícil acontecer pelas bandas da Raposa.

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Fim das férias. Trapalhadas não faltaram no Cruzeiro

Foto Paulo Filgueiras EM  DA Press

Foto: Paulo Filgueiras / EM – D.A Press

O blog está de volta!!! Depois de funcionar em regime de plantão nos últimos 30 dias, período em que apenas um post foi publicado (o que anunciou os motivos da saída de Willians), retomamos o trabalho regular e abrimos assim a temporada 2016 do espaço.

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Muitos fatos aconteceram no Cruzeiro desde que o blogueiro se afastou para merecidas férias. Alguns serão passados a limpo nas próximas linhas.

A eles, então.

Caso Benecy

Nos 15 dias em que fiquei fora do país, a rotina foi sempre a mesma. Na hora de dormir, atualizava-me das notícias do Cruzeiro pelo WhatsApp. Sou frequente em quatro grupos que discutem exclusivamente o dia a dia do clube. Nesse período, diariamente, cada um deles tinha cerca de 150 mensagens quando abria-os no finzinho da noite. No dia da fala de Benecy, assustei-me quando acionei o aplicativo: havia dois grupos com mais de 1000 mensagens! Os outros passavam das quinhentas.

Isso dá o tom do tamanho da asneira que Benecy disse. Poucas vezes vi o torcedor cruzeirense tão indignado com uma declaração como a do supervisor de que havia comprado um juiz na década de 80. E com razão. A confissão merecia severas apuração e punição ao antigo funcionário. Infelizmente a diretoria não percebeu a gravidade do caso, tratando-o apenas com nota lida pelo próprio Benecy e sem pronunciamento da figura mais essencial nesta hora – o presidente Gilvan.

Por que tamanha passividade da diretoria no tratamento do caso? É a pergunta que fica. E que gera suspeitas na cabeça do torcedor.

Caso Cuéllar

O script que envolveu a negociação do volante colombiano foi o mesmo das trocentas tentativas do Cruzeiro, no ano passado, de contratar um meia. Muito vazamento de informação, muita conversa de que o negócio estava por uma assinatura, muita gente da diretoria dando feedback à imprensa dos andamentos da negociação… Estava na cara de que o nome despertaria novos interessados. Dito e feito! Com quase seis anos de atraso, o Flamengo foi lá e deu o troco no balão levado na contratação de Montillo, em 2010, fechando com o colombiano.

A diretoria promete ter aprendido a lição e agora negocia com o novo nome em total sigilo. Mas alguém acredita mesmo que não haverá vazamento?

Copinha

Pouco acompanhei da boa participação dos garotos celestes na Copinha deste ano. Mas parece que, de novo, Alex é sinônimo de talento no Cruzeiro. A conferir nos próximos anos.

Amistoso

Também não pude assistir ao amistoso da equipe, no Espírito Santo, contra o Rio Branco. Li, porém, a excelente crônica do amigo João Henrique Castro (aqui) e me animei. Vale a pena conferir as impressões do João sobre o jogo.

Em tempo: por insignificantes, não vou nem comentar o jogo-treino, debaixo de forte chuva, perdido para o  Villa Nova, nem muito menos o chororô ridículo de alguns torcedores.

Patrocínios

Depois de longa novela, o patrocínio da Caixa Econômica Federal foi confirmado. Vi muitos torcedores reclamarem do valor que o Cruzeiro receberá: 12,5 milhões. Em tempos de crise, meus caros, é para comemorar como se título mundial fosse a celebração deste contrato. E que fique a lição aos que reclamavam do BMG, que poluía a camisa com o laranjão mas enchia as burras do Cruzeiro de dinheiro como nenhum outro depois dele.

Quanto ao Supermercados BH, que hoje soltou nota enfurecida rompendo contrato de patrocínio com o Cruzeiro, é importante aguardar o pronunciamento da diretoria celeste. Mas, ao que parece, estamos diante de mais um caso de amadorismo extremo. Segundo fontes ouvidas pelo blog, o Supermercados BH não recebeu notificação do clube informando da troca de patrocínio, após chegada da Caixa. É mole? Aguardemos, deitado é melhor, pronunciamento do presidente cruzeirense sobre a questão.

Por fim, é dia de celebrar a chegada de novo patrocinador, que também é apoiador deste blog. O Super 8, a maior rede de hotéis econômicos do mundo, estampará a marca no short do uniforme de jogo do time. Aqui no blog, a cada postagem, um banner com link para o site da rede será colocado ao fim da matéria. Sucesso ao patrocinador nas apostas.

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Willians conseguiu o que tanto buscou: a saída pela porta dos fundos

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Foto: acervo Cruzeiro E. C.

Fim da linha para Willians no Cruzeiro.

E por culpa exclusiva do jogador, que, embora queridinho de parte da torcida, conseguiu esgotar a paciência da diretoria com os reiterados atos de indisciplina.

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Falta de aviso não foi. Williams, desde que chegou, em fevereiro do ano passado, acumula problemas extracampo, todos, até hoje, perdoados pela diretoria. Mas a cada desculpa aceita, um aviso era dado: ou o jogador se aprumava, ou a saída do clube não demoraria.

Williams deu de ombros para as advertências e continuou apresentando-se constantemente atrasado para os treinos e influenciando negativamente garotos como Marcus Vinícius. Além disso, a fonte ouvida pelo BLOG garante que o uso excessivo de álcool é outro problema que os dirigentes já desistiram de tentar tratar no atleta.

Por tudo isso, é certo que Willians não continuará no Cruzeiro em 2016. O destino mais provável é o Corinthians. A alternativa, caso não dê certo a negociação com o clube paulista, será o empréstimo para outra equipe.

Melhor para o Cruzeiro, que sai dessa com a consciência tranquila, pois deu chances e mais chances a Willians de ser o profissional que o clube acreditou que ele fosse quando despendeu alta soma para contratá-lo.

Boa sorte ao Corinthians. Ou a outro corajoso clube.

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Com Lucas Lima teria sido como foi com Palhinha

Foto: arquivo Estado de Minas

Foto: arquivo Estado de Minas

A caça implacável a um meia que substituísse Everton Ribeiro será uma das lembranças que 2015 deixará. A diretoria tentou “n” nomes, mas não teve sucesso com nenhum. O jeito foi contratar Cabral e anunciá-lo como a resposta aos protestos da torcida por um camisa 10.

Não houve letargia por parte da diretoria. Até Lucas Lima, o melhor meia do futebol brasileiro, superior inclusive aos ótimos Jadson e Renato Augusto, foi tentado. E, acredite quem quiser, a joia santista esteve muito perto da Toca. Por um caminhão de dinheiro, desembarcaria aqui não fosse o surto de última hora do presidente do Santos mudando de ideia e dizendo que não o venderia mais.

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Um fato lamentável não só pelo azar de não podermos contemplá-lo com a camisa celeste, mas também pela histórica recepção que poderia ter acontecido. É certo: caso Lucas Lima tivesse vindo mesmo, a solenidade de apresentação deveria ter sido de gala, como no passado com uma estrela que parecia decadente. Mas que na verdade ainda tinha muito a brilhar.

Para quem não se lembra, em janeiro de 1996, o Cruzeiro contratou do São Paulo um mineiro que, embora ídolo no Morumbi, vivia tempos de desgaste no clube. Palhinha era o nome certo para aquilo que o Maior de Minas buscava: um maestro que conduzisse a equipe na temporada.

Inicialmente a vinda se deu por empréstimo. Mas em março, como Cruzeiro e São Paulo realizaram uma negociação de trocas – em que Serginho e Belletti foram para o Tricolor e Vítor, Ronaldo Luís, Gilmar, Donizete e Aílton vieram para a Raposa -, o temporário virou definitivo. O passe do camisa 10 também entrou no pacotão.

E se lá nas bandas do Morumbi já não lhe davam o devido valor, por aqui aconteceu diferente. Prova disso foi a recepção pomposa que Palhinha teve. Ninguém menos que Dirceu Lopes foi convidado para passar às mãos do novo dono da 10 o manto cruzeirense.

Foi em 8 de fevereiro, na estreia de Palhinha pelo Cruzeiro, contra o Mamoré, no Independência, em partida que também registrou o primeiro gol dele pelo clube celeste, que isso aconteceu.

Mas bem que poderia ter acontecido com Lucas Lima também.

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A curiosa conquista da Recopa de 1998 em 1999. E a falta de fair play dos argentinos

No jogo de ida, Müller foi o destaque com um gol marcado e uma assistência (Foto: Osmar Ladeia)

No jogo de ida, Müller foi o destaque com um gol marcado e uma assistência (Foto: Osmar Ladeia)

Nenhuma outra década da história do Cruzeiro foi tão vitoriosa como a de 1990. Foram 17 títulos no total. Uma insolência!

Os mais celebrados do período são o bicampeonato da Supercopa, em 1991 e 92; a Copa do Brasil de 1996; e a Libertadores de 1997.

Em seguida vêm os Mineiros de 1990, com o histórico gol de cabeça de Careca, e 1997, com recorde definitivo de público no Mineirão, além da Copa do Brasil de 1993.

No terceiro escalão, aparecem as conquistas da Copa Master de 95, Copa Ouro do mesmo ano, Copa Centro-Oeste de 99 e Recopa Sulamericana de 98 – curiosamente o último título da década de 90.

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Curiosamente porque, por falta de data no calendário em 1998, a disputa envolvendo o campeão da Libertadores de 1997, Cruzeiro, e o campeão da Supercopa de 1997, River Plate, aconteceu somente no segundo semestre de 1999.

No primeiro jogo, em Belo Horizonte, 2×0 para o Maior de Minas. Para o jogo de volta, preocupados com o campeonato nacional, os Milionários mandaram a campo uma equipe mista.

Azar o deles, que viram o Cruzeiro passear em campo e fazer 3×0 com tranquilidade. Fim de jogo, título conquistado, mas, de repente, os refletores se apagaram e o sistema de irrigação começou a funcionar.

Nada de festa, nada de receber o troféu em campo. Os jogadores do Cruzeiro desceram então para o vestiário e lá aguardaram a chegada do representante da Conmebol com a taça.

Novamente, porém, foram surpreendidos com uma queda de energia. Eles, que haviam virado verdadeiros fregueses do Cruzeiro em finais de torneios sulamericanos, não queriam realmente que os atletas cruzeirenses recebessem o troféu pelo título.

Mas Marcelo Djian, capitão da equipe, resistiu e aguardou o restabelecimento da energia, para receber a taça de direito.

Foi a festa de título mais protelada da década de 90, mas Djian garante: “aconteceu”!

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2015: um ano para a história

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Foto: Vinnícius Silva / Portre Imagens

Talvez o título assuste. “Como assim ‘para a história’?”, pode questionar o torcedor mal acostumado com a mania cruzeirense de ganhar troféus. A estes, pondero que nem só de campeonatos vencidos vivem as epopeias. Prova disso é o 6 x 1, feito que não valeu título, mas se revelou grandioso, apoteótico, “para a história”.

Dito isso, vamos aos dois fatos que fizeram de 2015 um ano merecedor de registro nas páginas heroicas imortais do Cruzeiro.

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O primeiro deles foi o jogo festivo entre o time da Tríplice Coroa e o dos Ídolos Eternos, organizado brilhantemente pelo departamento de Marketing do clube. Pela primeira vez, nos 94 anos de existência do Cruzeiro, deu-se ao torcedor a oportunidade de ovacionar divindades da história celeste. E foi tudo tão perfeito, delirante, arrebatador, que passei a defender que o estatuto do clube transforme a data de 27 de junho no “Dia do Herói Cruzeirense”.

Um dia como aquele, que provocou risos, lágrimas e saudades, não pode se mero fato histórico. É preciso transformá-lo em “feriado cruzeirense”, como o são 2 de janeiro, 30 de novembro e 13 de agosto, por exemplo. Em que outro dia do resto de nossas vidas veremos Dirceu Lopes, emocionado, dar o pontapé inicial e sair de campo aos mil beijos sobre as cincos estrelas? Ou o Paulinho Maclaren levantar a galera com o gesto que o eternizou na história do clube? Ou o danado do Marcelo Ramos guardar o dele com a camisa cruzeirense, com a mesma frieza e oportunismo de sempre?

Quando nova alvorada haverá de apontar no horizonte de nossas vidas a fim de nos permitir ver de novo Ari, Deivid e Alex tabelarem, fazendo os cruzeirenses presentes ao Mineirão viverem um déjà-vu azul? Qual será a próxima chance de contemplarmos Adilson dando voadora, não na placa, mas na bola, exibindo sua sempre marcante raça? E de vibrarmos com Roberto Gaúcho avançando pela ponta direita e cruzando na área – não importando que a jogada não tenha resultado em gol, o lance foi o gol?

Que outra vida nos dará a oportunidade de admirar Alex, o super-herói de 2003, mais uma vez fazendo da bandeira do Cruzeiro uma capa que não o faz voar, mas o torna um imortal no panteão dos gênios celestes?

Nenhum outro clube do futebol brasileiro tem em seus registros um dia que seja a síntese da própria história. Só o Cruzeiro, com o 27 de junho de 2015. Daí a data ser motivo de celebração; daí o ano ser considerado um grande ano.

Não para por aí, porém. Há outra razão para o cruzeirense morrer de orgulho do ano que se encaminha para o desfecho. E essa razão é ele mesmo: o cruzeirense! O Cruzeiro desceu ao inferno e, graças a ele, o torcedor, voltou; viveu um pesadelo que, com o abraço incondicional da torcida, se transformou em sonho de G4 nas rodadas finais.

Sabe aquele gol de placa marcado por Everton Ribeiro em 2013, contra o Flamengo? Em 2015 a torcida fez um tão belo quanto ao não parar de cantar um segundo sequer na derrota para o Santos que colocava o Cruzeiro na porta do Z4; Sabe o futebol pujante de Alex em 2003? Foi repetido em 2015, só que pela torcida, que da arquibancada deu show a ponto de pipocarem perguntas como “que torcida é essa?”. Se alguma lição esse comportamento da torcida deixou, foi a de que, nas boas, o Time do Povo é laureado pelo povo; e nas más, é carregado pelo mesmo povo.

Indago, enfim: pode um ano que revelou a força de uma torcida para carregar o time nos ombros e que teve um dia que foi a síntese da própria história não ter sido um grande ano? Não pode. Louvado seja para sempre 2015.

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